domingo, 14 de agosto de 2011

TEXTO.



A ESSENCIAL ARTE DE SAIR DE CENA.

O filme acabou, o ápice aconteceu, a mocinha ficou com o galã. Ou o vilão perdeu para o herói. A peça encerrou com os aplausos e o êxtase publicamente notado. E o show, por ora, terminou. Foi assim que se deu a saída de cena, no melhor de tudo. No mais sublime, pleno, no momento mais alto. Assim haveria de ser conosco, nós seres humanos e humanizados - aprendermos a sair de cena.
Sair de cena é uma arte, porque se exige tátil, feeling, cuidado, atenção redobrada, observações e além de tudo, saber fazer com que o filme, a peça ou o show sejam inesquecíveis justamente pelo seu final.
E é assim também com as pessoas que se tornam inesquecíveis, pois elas sabem sair de cena, e deixam sempre o perfume suave de sua essência em nossas vidas.
Pessoas especiais, não saem de cena com atos abruptos e relapsos, elas simplesmente saem. Mostram que o fim chegou, mas que não será preciso de mais nada para ser lembrada. Pois antes, ela se preocupou com o processo de encantar as pessoas, de cantar para as pessoas, e hoje, está colhendo o que plantou.
E o mais bonito que vejo agora, e acredito que alguns também aqui vêem, é que podemos expor isso sem precisar nos preocupar com o que os outros vão dizer, ou vão pensar, pois é na despedida que a gente expressa tudo, sem ser cobrado por nada. É o momento único, que pode ser o último, ou quem sabe, apenas mais um. Quem decidirá? A vida! As nossas decisões e o poder que o destino tem sobre nós mesmos.
Portanto, se o show acabou, a música ainda ecoa aos seus ouvidos. Se o espetáculo findou, as personagens ainda estão em sua alma. E é por isso, que a vida real e a vida inventada são tão próximas uma da outra. Não existe show mais bonito que o espetáculo da vida. E não existe vida, sem o espetáculo que é viver a vida aproveitando os bons momentos, como este.
E sem muitas delongas, e sem prolongar-me mais, aqui encerro a minha participação: saio de cena, e deixo a minha alma em cada coração que aqui estiveram. Porque não existe ator sem palco, músico sem música, cantor sem voz, e cinema sem imagem...E sem vocês, nenhum desses existiriam...
...que as cortinas fechem, porque o show precisa continuar.

Leniclécio Miguel.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

REFLEXÃO.




POR QUE A GENTE VOLTA?

“Era um caminho longo, quase inacessível. Seguir em frente era somente uma opção, dentre tantas a escolher.”

Eles decidiram, não havia mais relacionamento. Depois de tanta relutância, insistência, persistência em ficar; não se houve alicerce suficiente para tal. Partiram, deixaram as mãos em uma despedida, os olhos quase não se fitaram. Os braços quase não se balançavam na hora do adeus; e os rostos, estes sim, abatidos como se tivessem passado por uma noite inteira de insônia.

Foram dois anos de afastamento; cruzaram-se nas ruas, mas nenhum esboço de cumprimento. Olhares atravessados, rostos franzidos, corpos distanciados. Por fim, uma sensação de que nunca mais iam se aproximar.

Tarde da noite, o telefone toca: Em poucos instantes a constatação, a reaproximação deu-se quando se menos esperava. Um já estava sem esperanças; o outro sentia saudade, mas não sabia como se aproximar.

Poucos minutos de conversa, e lembranças jamais esquecidas – reapareceram os sentimentos, os mais nobres. Reaproximaram-se, descobriram a amizade onde não havia terra fértil. Plantaram novamente o amor onde já não se dava mais nada pela aquela terra árida.

E hoje, mais do que nunca, viram o quanto estiveram certos em se distanciarem, em não tentar uma amizade naquele momento, pois saberiam que iriam perder o que por tanto tempo era o mais caro entre eles – o amor.

Diante disto, me fiz à pergunta: Por que a gente volta? E pude perceber algumas coisas, observações cotidianas, que nos levam a boas reflexões.

A gente volta porque o perfume ainda é exalado, porque a essência ainda está em nós, porque o outro, mesmo distante, sempre permaneceu.

A gente volta porque precisa fechar ciclos, precisa iniciar um novo caminho – este sim, sem resquícios de um passado amargurado, triste.

A gente volta porque naquele momento, seguir era a melhor opção, dentre tantas outras. Por isso que a gente volta, porque o amor ainda está ali, esperando ser tocado, ser sentido, acarinhado e massageado por outro coração, que mesmo cansado, sabe muito bem cuidar do outro.

Enfim, a gente volta porque não sabemos ir mais adiante, e é preciso recuar para aprender a caminhar com passos mais firmes, mais precisos e mais equilibrados. A gente volta porque sentimos todos os perfumes, mas dentre eles, sabemos qual é o do nosso ser amado.

É verdade, a gente volta porque o perfume ficou em nós, e mesmo que outrora, sendo apenas uma lembrança em nossas mentes, queremos que este – o perfume, seja um sentido em nosso olfato...acho que é por isso que a gente volta...
...Para se dá uma nova oportunidade de um recomeço mais inteligente, mais feliz e por fim, mais certo.
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sexta-feira, 8 de abril de 2011

HOMENAGEM.


...QUANDO A GENTE VOLTA.

É, já me sinto distante e não a vejo todo dia. Mas eu tenho certeza do amor que sentimos um pelo outro. E mesmo quando não nos falamos, os olhos falam, os gestos dizem o que nenhuma palavra pôde dizer.

Já fui criança, aliás, todos nós já fomos. Já pude sentir de perto o amor que ela me dava. O cuidado, o zelo, a educação. Os valores primordiais para me tornar quem hoje realmente sou. Não mediu esforços para me ensinar a ter princípios, a ter educação e ser gentil com as pessoas. Ah, e também não falar em meio à conversa de adultos, ou passar onde eles estivessem conversando. Palavrão? Ih...Não podia! Assim também como não podia chamar as pessoas de: “cara”, “velho” ou qualquer outra gíria.

Na minha intransigência, achava isso péssimo. Não podia falar muita coisa, era sempre controlado, observado. Mas hoje, sei do que aquilo se tratava. Tratava-se de bons modos, bons costumes, educação, gentileza, respeito às pessoas. Sem aquelas “chatices” talvez eu não estivesse onde estou hoje.

Sou um ser humano apaixonado pela vida, pelas pessoas, por ajudar o próximo. Por ter sempre uma palavra de conforto ou de entusiasmo. Além de; saber calar, saber ouvir, respeitar às opiniões alheias, bem como, não distratar ninguém. "Não roube o lápis do coleguinha", "divida sempre o seu lanche com seu colega que não trouxe", "ensine os demais às tarefas caso eles não saibam ", foram as frases que nunca precisei ouvi-las para praticar, porque os seus ensinamentos já estavam embasados nelas.

Hoje já estou crescido, um menino grande. O meu corpo já não cabe em seu colo, e ela não pode mais me pegar nos braços. Mas como gostaria de voltar ao passado, somente hoje, por um instante, para sentir o gosto materno do cuidado, do zelo - quando estamos criança.
De ficar doente, mas ser bem cuidado. De fazer birra, levar broncas, mas saber que tudo aquilo foi por amor. De brincar com meus irmãos, de esperar a hora do almoço, ou de ir incomodá-la na hora de sua sesta.

É mainha... A gente cresce, as coisas acontecem e o que a senhora plantou em mim, hoje colho com todo carinho do mundo. Mas confesso que tem hora que dá vontade de voltar, de viver a experiência do útero, de sentir novamente o seu cuidado de quando eu era criança. Dá vontade de reescrever as experiências e fazer muita coisa diferente, principalmente, a decisão de amá-la desde cedo. 

Se bem que, a experiência da vida e o contato que ela nos traz, não há como não existir o amor entre nós. Mas gostaria de ter dito isto com mais frequência, com mais força e com mais dedicação em minhas atitudes. Hoje posso dar graças a Deus por saber que posso expressar o que sinto, e saber que a senhora me entende e me perdoa.

Ainda prometo-lhe mais amor, mais cuidado e mais atenção, porque quando a gente sente saudade, a gente volta... pro colo, pros braços, pro lar, pro cuidado sem fim. E que eu envelheça sabendo lhe pedir a bênção, sabendo lhe respeitar, e não esquecendo de lhe amar. E é por isso que na minha forma mais humana e humanizada que posso ser, digo-lhe: MUITO OBRIGADO POR TUDO!

Texto: Leniclécio Miguel (seu filho).

sábado, 2 de abril de 2011

POEMA.



ENGANOS    I

...Eram os olhos, as bocas, as mãos, os corpos, unidos.
Sentiam-se, sorriam, falavam das coisas do coração.
Encontros, desencontros, tantos...
...Fizeram deles fiéis, amáveis e amados, sem explicação.

...Eram as promessas, as decisões certas, as certezas de agora.
Duvidavam-se, escolhiam, gritavam a paixão latente.
Não foram, porquê ficaram aqui. Estão dentro, marcados pelo tempo...
...O tempo que os levaram para longe.

...Houve-se arrependimentos, o amor não entendeu.
Recuaram, se desprenderam, se desataram por querer.
Jaz um amor, que amado até o fim, acabou.
Hoje a solidão está presente, tão presente quanto à ausência desse verso.

segunda-feira, 28 de março de 2011

TEXTO.

Não Se Preocupe Com As Flores
Foi apenas um instante, um momento único e crucial onde em um único olhar pudera-se identificar os encontros. Um banco de praça, uma ligação, uma distração...Somente isso bastou-se para que os dois desejassem estar mais próximos. Mais um olhar, uma recíproca, a aproximação deu-se por completa. Seu nome, meu nome, prazer...
Alguns minutos de conversa; várias identificações, constatações de um destino. Foi preciso uma viagem à trabalho - e do outro lado - uma vontade de passear no shopping e esperar as horas passarem, para somente depois seguir. Mas a vida quis apresentá-los, e fazer um reencontro de almas. Um jeito especial, um olhar tímido, um sorriso distraído, daqueles que só damos quando estamos seguros com alguém. Foi assim que passamos a tarde de quarta-feira, e os outros dias que se seguiram.
Uma caminhada, uma volta no quarteirão, paramos. O pôr-do-sol dava o seu espetáculo e não poderíamos perder tamanha grandeza divina. Momento único, daqueles vividos nos filmes românticos, nas paixões de Machado de Assis, nos poemas de Vínicius. Não sabia descrever o momento, aliás, não saberei nunca. As descobertas, as coincidências – se é que existem, estavam lá. O universo conspirou; os astros, o sol, a tarde, a música, o mar...
Marcamos um novo encontro, quinta-feira às 15h no mesmo lugar, o shopping. Ao chegar, estava lá, de forma tímida, tomando um café. Algo diferente no ar; o perfume estava mais forte, os cabelos bem penteados e o sorriso, este sim, largo como nunca. Ao chegar, não pude evitar, o abraço foi espontâneo, daqueles que preenchem a alma. Prazeres à parte, a satisfação continuo...
...Como pode? Disseram-me. As pessoas especiais estarem tão longe de nós, morarem tão longe... Somente sorri, meio sem graça. Mas pensei o mesmo: “Como pode? Você ser tão especial, tão diferente de todos que amei, e estar tão longe da minha vida?” Os pensamentos povoaram a minha cabeça por alguns minutos.
Já era tarde, tínhamos que nos despedir. Pensei em um novo encontro, mas antes de eu falar, veio o convite: Vamos à praia, amanhã? – Pudera eu responder outra coisa a não ser um sim? Claro que não! Digo: SIM, vamos sim!
Sexta-feira, antes de sair, uma leve chuva, acho que veio para lavar e levar os sentimentos do passado, para ficarmos somente à sós, ou melhor, juntos. Encontrei novamente o sorriso que me marcara desde quarta, o jeito meigo e tímido que me fez suspirar na noite de quinta, o amor que me fez ser tão especial no dia de sexta.
A praia, o sol, o mar...o amor. Tudo estava começando, mas sabíamos que aos poucos ia terminar. Assim como as nuvens aparecem no fim de tarde, como a lua troca de lugar com o sol, e o mar se agita em suas ondas, tudo foi decidido ali, naquele exato momento.
Não te prometo, e nem me prometas, somente por hoje não me esqueça. Não esqueça do meu sorriso quando te vi a primeira vez, não esqueça dos meus olhos quando sorriram pra você. Não esqueça da minha testa franzida quando te ouvia atentamente. Ah, e lembre-se dos sorrisos, das gargalhadas sem fim, das mãos que se apertavam bem forte e trazidas ao peito, queriam penetrá-los.
Não prometa nada, somente me deixe ficar aqui, abraçado com os teus braços...calmo, tranquilo, em paz. Espero teu último carinho, teu último olhar...Mas não quero tristeza, não quero chorar. Quero guardar comigo isso, esse momento eterno.
Pra você! “...Aqui nos encontramos e aqui eternizamos. Obrigado pelos dias. Beijos.” – Era o que estava escrito em uma fotografia do banco da praça onde nos encontramos pela primeira vez. Quanta sensibilidade, quanto cuidado em tornar aquele momento especial. Guardei em meu coração, sem esquecer de nenhum detalhe.
Hoje, ciente do que vivemos, não me preocupo mais com as flores. Não me preocupo com os frutos. Cuido tão-somente dos espinhos, das cicatrizes, das frustrações. As flores, mesmo que esqueçamos de regar, a natureza cuida em regá-las. O sol cuida da luz e de sua fotossíntese. Assim é o amor, mesmo que esqueçamos de cuidar, alguém cuida por nós. Por isso, não me preocupo com as flores, elas sempre brotam, assim como o amor sempre renasce em terra que já foi árida, em coração que já foi tripudiado. Sabem por que? Porque a terra é boa, e como fruto de sua qualidade, dá bons frutos, assim também é o coração, quando bem cuidado.

Texto: Leniclécio Miguel