quinta-feira, 3 de março de 2011

ENSAIO.



O Mergulho, o Amor e o Suicídio.
Mergulhei. Agora imerjo nas águas profundas que o amor me mostra. Estou fundo, bem profundo, fico somente com o som que o silêncio me traz. Não vejo mais poluição, tudo agora está nítido, calmo, tranquilo - nas águas quentes desse mar de ilusão. O amor já se foi, o suicídio já chegou, tentei levar outros comigo, mas outrora não conseguira imergir até aonde eu consegui chegar. Então assim, somente assim percebi, que o meu mergulho é somente um prelúdio do amor que espera o suicídio para se confirmar.
É bem assim que encontramo-nos ao entrar num relacionamento. Primeiro, mergulhamos de cabeça, e por vezes, não medimos esforços para ir ao mais fundo possível. Esquecendo, que nesse mergulho, estamos levando um outro ser conosco, e que possivelmente um dos dois terá mais fôlego para ir mais fundo.
De repente o outro perde o fôlego, precisa voltar à margem e tomar mais fôlego para mergulhar novamente. Você já está dentro, e como tem mais fôlego, prefere ficar a ter que retornar de uma investida profunda nesse mergulho. Você se desprenderá do outro e se sentirá sozinho no fundo do mar, ao perceber-se só, pensará que o outro fez isso apenas por abandono ou por covardia, mas esquece que o outro tem limite e que o seu não é igual.
O outro volta, toma fôlego, mas agora prefere não mais arriscar o mergulho tão profundo como antes, você já está imergido e totalmente mergulhado e não consegue retornar ao ponto que o outro se encontra. O outro não arrisca ir mais longe, pois sabe que não tem mais fôlego para descer as águas. Você por sua vez, prefere não voltar, porque precisa chegar ao seu objetivo final – o suicídio.
O amor agora está correndo riscos, você não quer mais voltar à margem, e o outro não quer imergir ao seu encontro. Tornou-se o impasse, decidir o desfecho desse mergulho será uma questão de honra aos dois. Um prefere culpar o outro por não ter voltado ao ponto que estavam. O outro prefere ficar na zona de conforto e ser mais responsável ao ponto de não querer descer além do que o seu limite permite.
O suicídio deu-se devido a pouca resolução e muita disputa de poder. O suicídio foi a forma que o amor encontrou para tirar de dentro a dor. A cada dia, ele se matava um pouco para dar vida ao outro ser que o relacionamento exigia. Primeiro cedia um pouco, depois esquecia-se um pouco de si mesmo, e anulava-se quase que sempre para ter o outro como prêmio. O amor se suicídio aos poucos, precisou de muita falta de atenção, descompromisso, desrespeito e desonestidade. Porque o amor, sempre esteve pronto. Ao mergulhar, ele sabia que poderia ir mais longe, mas limitou-se em apenas esperar o outro ir junto, perdeu-se nas águas, no mar da ilusão. Hoje, o que resta são dois corações partidos, dois corpos ausentes, quatro mãos que não se tocam, quatro olhos que não se olham e uma distância. O amor se suicidou, cansou de ficar entre eles, achou melhor arrancar de vez aquela dor que sentia toda vez que um duvidava que ele existia. Agora, depois de jazido, nada pode ser feito, senão, sepultá-lo para que breve ele ressurja no coração de outro ser.

Leniclécio Miguel.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

TEXTO

...ERA PARA SER DIVINO, MAS DECIDIU-SE QUE FOSSE HUMANO.

Estou indo, deixo lembranças e marcas de um coração triste.
Caminho lento, em passos curtos e pisadas fortes, forçando bem a planta dos pés para marcar esse chão que outrora foi o nosso mundo.

Sigo com a cabeça erguida, sinto uma ânsia, sintomas do que foi vivido.
De repente vem a saudade, a lembrança e a tristeza de não ter comemorado o nosso último instante juntos.

O coração já não compassa, o pulso está lento, é o amor morrendo em doses homeopáticas de veneno humano.

E sem darmo-nos conta perdemos o foco, já não havia regresso, os vícios da vida tinham nos contaminados.

Agora paro, olho para trás e não te vejo, não mais te sinto em meu corpo, tomo a decisão de seguir sem você, pois mesmo não sendo a decisão mais certa, por ora é a mais sensata. Pois se hoje sofro, amanhã supero. Só não dá mais para viver esse eterno sofrimento da espera sem fim...

Texto: Leniclécio Miguel

sábado, 29 de janeiro de 2011

TEXTO.




O CHEIRO
Era o prometido, um cheirar de pescoço e estaria paga a promessa. Mas, não foi bem assim que isso tudo aconteceu.
Dia de sábado, a tarde nublada, uma suspeita de que eu não daria esse cheiro. Sabia que era brincadeira, pois ele tinha sido prometido. Ao desligar o telefone, sinto um cheiro suave que vinha da rua, foi chegando devagarzinho, exalei aquela sensação de paz. Ainda não tinha percebido, mas o cheiro tinha transpassado o meu corpo e penetrado o meu coração. Tive uma sensação de aconchego, de carinho. E fiquei esperando, certa hora o cheiro ia chegar.
Minutos depois, vejo subindo as escadas, os dois amores de minha vida. Um segurando o outro pela mão, e andando de cabeça baixa, tímida, como sempre foi. Ao vê-los subir, senti que o cheiro saia de mim, como se fosse uma exalação. E ao adentrarem, resolvemos isso, cumprimos o prometido de forma muito suave, com um cheiro no pescoço. O coração fez festa, o sorriso travou, os olhos brilhavam, tudo isso em um instante, um pequeno momento, mas que disse muita coisa.
O outro, o abracei com o mais sincero afago, daqueles que os fraternos dão após um tempo de saudade. Ele tímido, mas com um olhar encantador, profundo, daqueles que penetram a alma e dizem a que veio. Também o cheirei, mas não tinha sido prometido, foi apenas uma forma de carinho.
Eles estavam bem perto, aqui ao lado, e pude perceber de onde vinha aquele cheiro todo de afeto. Agora eles foram, mas daqui a pouco os encontro. Um, darei mais um cheiro, um abraço e depois nos amaremos como sempre fizemos. O outro, saciarei a saudade, o abraçarei novamente e lhe farei cafuné. Quem sabe até brincarei com ele, ou assistiremos um filme juntos. Tudo vai depender de onde pesar mais a saudade, o querer, o desejo.
O cheiro foi dado, e ao mesmo tempo ficou em mim. As duas promessas foram cumpridas, e agora o que me resta é amá-los, respeitá-los e viver ao lado deles como se essa fosse minha única opção.
Texto inspirado em Marcílio e Pedro.

Escrito por Leniclécio Miguel.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

POR QUE A CERTEZA??!

Hoje volto a escrever em meu BLOG, que por sinal, estava entregue às baratas. Às vezes acho que é falta de tempo, às vezes falta de assunto, e às vezes os dois. Ultimamente tenho focado minhas tarefas e agenda em cuidar de um romance, de dois trabalhos e de amigos. E, nessa empreitada dificilmente lembro-me de vir aqui, às vezes passo como um leitor, e nem sequer paro para ler os comentários. Mas, não é falta de consideração, é que ultimamente tenho estado indisposto para falar sobre os temas que antes eu abordava com tanta propriedade, principalmente: o amor. Jurava que sabia falar a respeito dele, que não teria outra pessoa que falasse ou escrevesse com tanta convicção quanto a mim. Me enganei, descobri há alguns dias que não sei falar sobre o amor, na realidade, não sei nem se outrora já amei. E venho aqui, em carta aberta, pedir perdão à todos que um dia se iludiram com os meus textos. Mas não precisa se preocupar, eu vou explicar-lhe os porquês dessa minha mais nova descoberta.
Há aproximadamente 4 (quatro) anos atrás, tive meu primeiro envolvimento amoroso, que resultou em várias descobertas e observações que outrora não tinha atinado. Eu jurava que estava amando, que era a pessoa da minha vida, e que eu ia terminar ou continuar a minha vida ao lado dela. Em menos de 1 (um) ano, as coisas mudaram; brigas, incompreensões, desprezos, desinteresses, e desrespeitos tomaram conta daquele amor que eu julgava ser o mais bonito e puro que eu já pudera ter vivido. E a ficha foi caindo, fui descobrindo o amor realista, o amor humano, sem ilusões e sem tanta expectativa. Sofri muito até chegar a esse patamar de pensamento, mas me dediquei a encontrar as respostas no âmago de meu ser e a treinar esses novos sentimentos.
Dois anos depois, uns flertes, uma troca de olhares, um jeito diferente de dizer obrigado, e um balançar de braços. Somaram-se numa troca de contatos, em ligações, encontros, envolvimento, casamento. Estava enlaçado matrimonialmente, totalmente apaixonado e jurando amor eterno, me entregando novamente às armadilhas, às dependências da vida. Um envolvimento de quase 2 (dois) anos, e muita coisa mudada, revelada, e trazida à tona. Faltou-se respeito novamente, compreensão, cumplicidade, mas me trouxe amadurecimento. Como sempre, houveram-se perdas, lutos e resiliência. O relacionamento chegou ao fim, e foi difícil, confesso que nunca pensei que iria sofrer tanto. Mas, venci, na realidade, vencemos.
Mais dois anos depois, um envolvimento de aproximadamente 4 (quatro) meses, novamente o fim, não havia pontos em comum pelo qual o relacionamento tivesse alicerce, suponhei ser uma linda história de amor, e infelizmente, eu a deixei lírica demais, muito sonhadora, suspensa nas nuvens.
Hoje, estou em mais um envolvimento, muito difícil, para lhe dizer a verdade. A cada dia eu descubro algo novo, e tento dá sentido. Por mais que a gente pense que somos os donos da verdade, sempre tem uma verdade que se sobrepõe à nossa. E com a razão não é diferente. Um dia eu estou muito feliz, outro dia estou ansioso. Decerto, esse deverá ser o relacionamento pelo qual eu mais aprendo, e também mais me esforcei comparando-o aos outros. Nesse, eu reconheço sem ser reconhecido, eu perdoo sem ser pedido, eu agradeço sem precisar ser agradecido. Não meço esforços para estar perto, para ajudar, para compreender, mesmo por vezes não sendo compreendido. Mas não posso dizer que tenho certeza de que será um amor atemporal, e nem muito menos que vamos ser feliz o resto da vida. Adoraria, mas somos humanos, condicionados ao erro, ao descuido, aos atos falhos. Hoje, não preciso ter certeza de que sou amado, mas preciso ser amado. Assim como me envolvo e como me disponho a amar. E como o título do texto sugere, venho aqui levantar essa pergunta: Para quê ter certeza? Se o mais emocionante da vida é a descoberta! Que tenhamos poucas certezas, várias dúvidas e outros sentidos. Assim, não vamos esquecer do melhor da vida - que é viver!

Texto: Leniclécio Miguel ®

sábado, 1 de janeiro de 2011

REFLEXÃO.


RENOVAR o AMOR, a CONFIANÇA e a ESPERANÇA em 2011.
 Estamos chegando a mais um fim de ano, com ele foram-se os planos, as metas e os objetivos. Se concluídos, tudo ficou azul. Se não concluídos, restou o ano de 2011 para saldar as prioridades que não foram atingidas. 2010 passou rápido, nem parece que tivemos 365 dias, 52 semanas, 12 meses. Ah, e muitas horas, muitos minutos e vários outros segundos. Foram aproximadamente 8.760 horas existentes para se fazer tudo, ou ficar parado e não fazer nada.
Fazendo o balanço anual, identifiquei que atingi 60% de minhas metas e prioridades neste ano. No ano de 2009 foram 76% atingidos, o que me leva a crer que realmente 2010 passou voando ou não fui tão competente assim. Quase não tive tempo de abraçar os meus amigos, e muito menos de olhar para alguém que estava querendo ajuda. Foram 525.600 minutos de correria, ansiedade, estresses, poucos sorrisos, muitos impasses, poucas generosidades, muitos mal entendidos, e poucos pedidos de perdão.
Agora em 2011 que possamos renovar os votos que outrora não foram afirmados; renovar o amor é sempre estar disposto a perdoar, a compartilhar e também ajudar o próximo a se ajudar. Acreditar no próximo é dar-se uma chance de confiar em si mesmo. E renovar as esperanças e aprimorar as suas qualidades, como também, aperfeiçoar as suas imperfeições.
2011 está vindo com bastante promessas e se soubermos canalizar bem as energias, certamente ele será um ano maravilhoso. Dizem que os anos ímpares são os melhores, não sei qual força isso tem no universo, mas se for verdade, que assim seja. E que o amor, a confiança e a esperança sejam tratados de forma nobre, abundante e constante. 
Pois então, é chegada a hora de fazermos novos votos, novas promessas e traçarmos novas metas. De abraçar mais o nosso irmão, de olhar mais profundamente e enxergar a alma de cada um. De perdoar, de ceder, de compreender e ajudar.  De esquecer as mágoas que por ora nos fizeram, de deixar sempre um agradável perfume nas mãos de quem cumprimentamos, e de sorrir para os que precisam, e agradecer com outro sorriso os que lhe cumprimentam.
Já decidiu como será o seu? Já colocou na sua agenda as suas prioridades para 2011? Se não, aproveite para começar a partir de hoje, decidindo conhecer novas pessoas, sorrir mais para o seu semelhante, agradecer a Deus pela a dádiva de estar vivo e poder estar compartilhando desse momento de alegria com todos. E que venha 2011, com novos desafios, novas descobertas, novas alegrias, e nova esperança. Renove já, reinvente-se agora, o tempo não pára e você terá apenas 31.536.000 segundos para respirar. Portanto, aproveite cada instante de sua vida para inspirar os mais nobres sentimentos. E agradeça! Agradeça a Deus por tudo e por todos, e pela Sua infinita sabedoria, agradeça. E que os anjos digam: amém. Que a vida diga: sim. E que os seus desejos mais íntimos sejam realizados. Um forte abraço, um grande beijo e vários sorrisos sinceros em sua caminhada. Feliz 2011!

Texto: Leniclécio Miguel