sábado, 12 de março de 2011

REFLEXÃO.

DE: ONTEM,
 PARA: HOJE.

Quero lhe informar que já não tenho mais esperanças, você chegou e já não tenho mais como viver. E digo-lhe mais: Enquanto eu pude estar presente, fiz de meu curto tempo de vida, o mais intenso possível. Sabendo eu que tinha menos de 24h para brilhar, para ser inesquecível. E dar o melhor de mim foi primordial para você ser quem é – HOJE.
                Acordei cedo, sorri para vários rostos tristes. Brinquei com a solidão enquanto estive deitado. Mas, depois de muitos empurrões, resolvi levantar. Já era hora de fazer alguma coisa. O café ficou passando, o banho já morno - lavava o corpo-alma - de um ser outrora. Vieram os pensamentos, um turbilhão para ser mais honesto. Pensando em como você chegaria, e se chegaria.
                Me preparei durante a tarde para rever o pôr-do-sol, coisa que há tanto tempo tinha esquecido que existia, as correrias fizeram-me esquecer. Ao adentrar a noite, pude perceber as luzes na rua, os carros que passavam num ziguezaguear frenético, e as pessoas preocupadas com o pão nosso de cada dia – nas padarias.
                Ao deitar, os pensamentos vieram e me trouxeram uma reflexão, uma comparação do antes. Vi progressos, mas também vi regressos. E percebi que estava vivo ainda, que podia aprender, errar e também ensinar algo para você, que acaba de chegar.
                HOJE – Seja bem-vindo a mais um dia. E que você saiba dar valor às coisas efêmeras, e que não se acostume com o eterno e nem sonhe com ele. Que a palavra AGORA tenha mais sentido do que todas as outras em sua vida. E que o seu melhor dom seja o de AMAR. Que você se iluda, se desiluda, mas não esqueça que será somente AGORA.
                Daqui a algum tempo eu irei chegar, e você terá que esperar mais algumas horas para trocarmos de lugar. Assim é a vida, enquanto eu estou presente, você é futuro. E que quando você for presente, eu só sirva para dar-te um norte, e te lembrar das coisas, mas que isso não te traga arrependimentos, muito menos, ressentimentos.
                HOJE – estou disposto a aprender com você. A lidar melhor com os meus sentimentos, a respeitar mais as minhas vontades e a praticar a humanização para com todos. E como sei que AMANHÃ eu serei lembrança, quero ser lembrado sem medos, sem tristeza, mas com esperança de que você, HOJE, me faça FELIZ.

Texto: Leniclécio Miguel.

quinta-feira, 3 de março de 2011

ENSAIO.



O Mergulho, o Amor e o Suicídio.
Mergulhei. Agora imerjo nas águas profundas que o amor me mostra. Estou fundo, bem profundo, fico somente com o som que o silêncio me traz. Não vejo mais poluição, tudo agora está nítido, calmo, tranquilo - nas águas quentes desse mar de ilusão. O amor já se foi, o suicídio já chegou, tentei levar outros comigo, mas outrora não conseguira imergir até aonde eu consegui chegar. Então assim, somente assim percebi, que o meu mergulho é somente um prelúdio do amor que espera o suicídio para se confirmar.
É bem assim que encontramo-nos ao entrar num relacionamento. Primeiro, mergulhamos de cabeça, e por vezes, não medimos esforços para ir ao mais fundo possível. Esquecendo, que nesse mergulho, estamos levando um outro ser conosco, e que possivelmente um dos dois terá mais fôlego para ir mais fundo.
De repente o outro perde o fôlego, precisa voltar à margem e tomar mais fôlego para mergulhar novamente. Você já está dentro, e como tem mais fôlego, prefere ficar a ter que retornar de uma investida profunda nesse mergulho. Você se desprenderá do outro e se sentirá sozinho no fundo do mar, ao perceber-se só, pensará que o outro fez isso apenas por abandono ou por covardia, mas esquece que o outro tem limite e que o seu não é igual.
O outro volta, toma fôlego, mas agora prefere não mais arriscar o mergulho tão profundo como antes, você já está imergido e totalmente mergulhado e não consegue retornar ao ponto que o outro se encontra. O outro não arrisca ir mais longe, pois sabe que não tem mais fôlego para descer as águas. Você por sua vez, prefere não voltar, porque precisa chegar ao seu objetivo final – o suicídio.
O amor agora está correndo riscos, você não quer mais voltar à margem, e o outro não quer imergir ao seu encontro. Tornou-se o impasse, decidir o desfecho desse mergulho será uma questão de honra aos dois. Um prefere culpar o outro por não ter voltado ao ponto que estavam. O outro prefere ficar na zona de conforto e ser mais responsável ao ponto de não querer descer além do que o seu limite permite.
O suicídio deu-se devido a pouca resolução e muita disputa de poder. O suicídio foi a forma que o amor encontrou para tirar de dentro a dor. A cada dia, ele se matava um pouco para dar vida ao outro ser que o relacionamento exigia. Primeiro cedia um pouco, depois esquecia-se um pouco de si mesmo, e anulava-se quase que sempre para ter o outro como prêmio. O amor se suicídio aos poucos, precisou de muita falta de atenção, descompromisso, desrespeito e desonestidade. Porque o amor, sempre esteve pronto. Ao mergulhar, ele sabia que poderia ir mais longe, mas limitou-se em apenas esperar o outro ir junto, perdeu-se nas águas, no mar da ilusão. Hoje, o que resta são dois corações partidos, dois corpos ausentes, quatro mãos que não se tocam, quatro olhos que não se olham e uma distância. O amor se suicidou, cansou de ficar entre eles, achou melhor arrancar de vez aquela dor que sentia toda vez que um duvidava que ele existia. Agora, depois de jazido, nada pode ser feito, senão, sepultá-lo para que breve ele ressurja no coração de outro ser.

Leniclécio Miguel.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

TEXTO

...ERA PARA SER DIVINO, MAS DECIDIU-SE QUE FOSSE HUMANO.

Estou indo, deixo lembranças e marcas de um coração triste.
Caminho lento, em passos curtos e pisadas fortes, forçando bem a planta dos pés para marcar esse chão que outrora foi o nosso mundo.

Sigo com a cabeça erguida, sinto uma ânsia, sintomas do que foi vivido.
De repente vem a saudade, a lembrança e a tristeza de não ter comemorado o nosso último instante juntos.

O coração já não compassa, o pulso está lento, é o amor morrendo em doses homeopáticas de veneno humano.

E sem darmo-nos conta perdemos o foco, já não havia regresso, os vícios da vida tinham nos contaminados.

Agora paro, olho para trás e não te vejo, não mais te sinto em meu corpo, tomo a decisão de seguir sem você, pois mesmo não sendo a decisão mais certa, por ora é a mais sensata. Pois se hoje sofro, amanhã supero. Só não dá mais para viver esse eterno sofrimento da espera sem fim...

Texto: Leniclécio Miguel

sábado, 29 de janeiro de 2011

TEXTO.




O CHEIRO
Era o prometido, um cheirar de pescoço e estaria paga a promessa. Mas, não foi bem assim que isso tudo aconteceu.
Dia de sábado, a tarde nublada, uma suspeita de que eu não daria esse cheiro. Sabia que era brincadeira, pois ele tinha sido prometido. Ao desligar o telefone, sinto um cheiro suave que vinha da rua, foi chegando devagarzinho, exalei aquela sensação de paz. Ainda não tinha percebido, mas o cheiro tinha transpassado o meu corpo e penetrado o meu coração. Tive uma sensação de aconchego, de carinho. E fiquei esperando, certa hora o cheiro ia chegar.
Minutos depois, vejo subindo as escadas, os dois amores de minha vida. Um segurando o outro pela mão, e andando de cabeça baixa, tímida, como sempre foi. Ao vê-los subir, senti que o cheiro saia de mim, como se fosse uma exalação. E ao adentrarem, resolvemos isso, cumprimos o prometido de forma muito suave, com um cheiro no pescoço. O coração fez festa, o sorriso travou, os olhos brilhavam, tudo isso em um instante, um pequeno momento, mas que disse muita coisa.
O outro, o abracei com o mais sincero afago, daqueles que os fraternos dão após um tempo de saudade. Ele tímido, mas com um olhar encantador, profundo, daqueles que penetram a alma e dizem a que veio. Também o cheirei, mas não tinha sido prometido, foi apenas uma forma de carinho.
Eles estavam bem perto, aqui ao lado, e pude perceber de onde vinha aquele cheiro todo de afeto. Agora eles foram, mas daqui a pouco os encontro. Um, darei mais um cheiro, um abraço e depois nos amaremos como sempre fizemos. O outro, saciarei a saudade, o abraçarei novamente e lhe farei cafuné. Quem sabe até brincarei com ele, ou assistiremos um filme juntos. Tudo vai depender de onde pesar mais a saudade, o querer, o desejo.
O cheiro foi dado, e ao mesmo tempo ficou em mim. As duas promessas foram cumpridas, e agora o que me resta é amá-los, respeitá-los e viver ao lado deles como se essa fosse minha única opção.
Texto inspirado em Marcílio e Pedro.

Escrito por Leniclécio Miguel.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

POR QUE A CERTEZA??!

Hoje volto a escrever em meu BLOG, que por sinal, estava entregue às baratas. Às vezes acho que é falta de tempo, às vezes falta de assunto, e às vezes os dois. Ultimamente tenho focado minhas tarefas e agenda em cuidar de um romance, de dois trabalhos e de amigos. E, nessa empreitada dificilmente lembro-me de vir aqui, às vezes passo como um leitor, e nem sequer paro para ler os comentários. Mas, não é falta de consideração, é que ultimamente tenho estado indisposto para falar sobre os temas que antes eu abordava com tanta propriedade, principalmente: o amor. Jurava que sabia falar a respeito dele, que não teria outra pessoa que falasse ou escrevesse com tanta convicção quanto a mim. Me enganei, descobri há alguns dias que não sei falar sobre o amor, na realidade, não sei nem se outrora já amei. E venho aqui, em carta aberta, pedir perdão à todos que um dia se iludiram com os meus textos. Mas não precisa se preocupar, eu vou explicar-lhe os porquês dessa minha mais nova descoberta.
Há aproximadamente 4 (quatro) anos atrás, tive meu primeiro envolvimento amoroso, que resultou em várias descobertas e observações que outrora não tinha atinado. Eu jurava que estava amando, que era a pessoa da minha vida, e que eu ia terminar ou continuar a minha vida ao lado dela. Em menos de 1 (um) ano, as coisas mudaram; brigas, incompreensões, desprezos, desinteresses, e desrespeitos tomaram conta daquele amor que eu julgava ser o mais bonito e puro que eu já pudera ter vivido. E a ficha foi caindo, fui descobrindo o amor realista, o amor humano, sem ilusões e sem tanta expectativa. Sofri muito até chegar a esse patamar de pensamento, mas me dediquei a encontrar as respostas no âmago de meu ser e a treinar esses novos sentimentos.
Dois anos depois, uns flertes, uma troca de olhares, um jeito diferente de dizer obrigado, e um balançar de braços. Somaram-se numa troca de contatos, em ligações, encontros, envolvimento, casamento. Estava enlaçado matrimonialmente, totalmente apaixonado e jurando amor eterno, me entregando novamente às armadilhas, às dependências da vida. Um envolvimento de quase 2 (dois) anos, e muita coisa mudada, revelada, e trazida à tona. Faltou-se respeito novamente, compreensão, cumplicidade, mas me trouxe amadurecimento. Como sempre, houveram-se perdas, lutos e resiliência. O relacionamento chegou ao fim, e foi difícil, confesso que nunca pensei que iria sofrer tanto. Mas, venci, na realidade, vencemos.
Mais dois anos depois, um envolvimento de aproximadamente 4 (quatro) meses, novamente o fim, não havia pontos em comum pelo qual o relacionamento tivesse alicerce, suponhei ser uma linda história de amor, e infelizmente, eu a deixei lírica demais, muito sonhadora, suspensa nas nuvens.
Hoje, estou em mais um envolvimento, muito difícil, para lhe dizer a verdade. A cada dia eu descubro algo novo, e tento dá sentido. Por mais que a gente pense que somos os donos da verdade, sempre tem uma verdade que se sobrepõe à nossa. E com a razão não é diferente. Um dia eu estou muito feliz, outro dia estou ansioso. Decerto, esse deverá ser o relacionamento pelo qual eu mais aprendo, e também mais me esforcei comparando-o aos outros. Nesse, eu reconheço sem ser reconhecido, eu perdoo sem ser pedido, eu agradeço sem precisar ser agradecido. Não meço esforços para estar perto, para ajudar, para compreender, mesmo por vezes não sendo compreendido. Mas não posso dizer que tenho certeza de que será um amor atemporal, e nem muito menos que vamos ser feliz o resto da vida. Adoraria, mas somos humanos, condicionados ao erro, ao descuido, aos atos falhos. Hoje, não preciso ter certeza de que sou amado, mas preciso ser amado. Assim como me envolvo e como me disponho a amar. E como o título do texto sugere, venho aqui levantar essa pergunta: Para quê ter certeza? Se o mais emocionante da vida é a descoberta! Que tenhamos poucas certezas, várias dúvidas e outros sentidos. Assim, não vamos esquecer do melhor da vida - que é viver!

Texto: Leniclécio Miguel ®