quarta-feira, 7 de setembro de 2011

TEXTO.


A DANÇA, A MÚSICA E O NÉCTAR.

A música toca, aliás, nós cantamos a música. Ela dança, os nossos corpos respondem, um bolero, um tango, um forró, um axé, um frevo. Era noite, a varanda não coube tanta felicidade, o espaço ficou pequeno, a sala encerrava-se em cada passo dado. Fora preciso ir mais alto, ver as estrelas, observar a lua, curtir o frio a dois, e tantos a nossa volta.

Sabe dançar? Sei sim! Então vamos, são “dois pra lá, dois pra cá”... Acompanha! Não consigo! Preciso ouvir música. Mas há música, ouça o som da noite, a lua cantarolando essa bela serenata, até o vento sopra no compasso... são “dois pra lá, dois pra cá” ... Não consigo, preciso ouvir música! (risos). Tudo bem, eu canto para você...


“Batidas na porta da frente, é o tempo. Eu bebo um pouquinho pra ter argumentos... Mas fico sem jeito calado, ele rir, ele zomba do quanto eu amei, diz que somos iguais, eu não sei...” – É triste, né? Deixa eu cantarolar outra. “...Sabes mentir, hoje eu sei que tu sabes mentir, um falso amor abrigaste em meu coração, sempre a sorrir, tu falavas com afeição, dessa paixão que devias sentir.” – É, essa também não é propícia ao momento. Tudo bem, vamos parar.


Mas a música continuou, a sinfonia era magnífica, Bethoween, Choppin, Mozart... Jamais compuseram admirável obra. O amor estava ali, rente a nós, embebecido de vinho, de néctar, de desejo. As canções que outrora ouvimos, as palavras que outrora falamos, tudo guardado, sentido, desejado.


A música, a dança, o sincronismo, não era preciso tanto. O que foi preciso, e que foi tanto, foram os toques, o sentir, o cheiro, o beijo, o olho, o olhar, o abraço... E a constatação: Você não me é estranho... Bem, você também não. Um jovem, e um maduro, unidos pelo o único desejo, o desejo de encontrarem a alegria de suas vidas.


Por fim, a dança continua em nossos minúsculos movimentos, e a música até nos pingos de chuva que ouvimos. O cheiro está impregnado, o desejo aguçado, e os dias contados... Para eles se encontrarem novamente.


Pode ser que haja dança, haja música, haja os dois... Ou simplesmente, bons motivos para eles serem felizes no momento que se aproxima.

Caruaru, 23 de Julho de 2011.

Leniclécio Miguel.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

CRÔNICA.




O HOMEM DO FUTURO
(Texto: Leniclécio Miguel)

Imagine você que vamos ter que paralisar esse momento, esse exato momento em que todos estão me olhando, me encarando, e desejando saber o que vai acontecer. E será preciso eu registrar esse momento, tirando uma foto de cada um aqui, para que daqui a 5 anos, somente isso, 5 anos – a gente ver como cada um vai estar. Mas esperem... Vamos fazer diferente, vamos ao futuro? Se imagine daqui a 5 anos... Como você vai estar? Como você planejou estar? Será que está surpreso com os quilos a mais? Ou com os cabelos a menos? Ou quem sabe, até com o novo estilo de vida? Mudou de casa? Comprou um carro novo? Os cabelos foram pintados? As roupas foram mudadas? Ah, você casou? E você descasou? Incrível, esses momentos... Todos com as suas preocupações.
E aí, como se encontrou a 5 anos depois? Bom, mas vamos fazer mais diferente ainda. Imagine que volta do futuro, um homem. O homem do futuro, e neste exato momento ele olha para cada um de vocês, e diz como cada um vai estar. Você, está realizado – Família, casa, carro... Já você, não conseguiu seus objetivos, e continua se frustrando. Você está mais feliz, mais irradiante. E você, bom... Ganhou uns quilinhos, mas ficou mais maduro, mais charmoso.
O homem do futuro está aqui, e ele avisa que muitos aqui já estarão casados, com suas famílias, seus filhos... Outros, continuarão solteiros, mas felizes, também. Alguns, os que mais se dedicaram, estarão sendo reconhecidos pelo seu trabalho, pelo seu profissionalismo, por sua vida de realizações. Outros, nem tanto. Mas vamos fazer assim, já que vocês duvidam do homem do futuro...
...Nos anos 50, ele também voltou, e em uma estação de trem, a estação da luz em São Paulo, para ser mais exato, encontra uma criança com 12 anos. E ele pede para que todos em sua volta parem aquele momento, registrem aquela criança. Tirem fotos, a parabenizem, sorriam para ela. E os que estão lá, naquele momento, se perguntam: “Mas é apenas uma criança, que por sinal está engraxando os sapatos das pessoas que por ali passam?!” – É, esses que não acreditaram no homem do futuro, se frustraram. Essa criança cresceu, tornou-se metalúrgico, depois líder sindical, por fim... Essa criança ganhou asas, ganhou o Brasil, conquistou o mundo. E você deve está se perguntando: Mas quem é essa criança? E eu lhe respondo: Luiz Inácio Lula Da Silva... Ah, mas eu não gosto de política, ou, eu não votei nele.
Tudo bem, o homem do futuro foi aos anos 80, e chegando lá, encontra uma criança recém-nascida, mas já desenganada pelos médicos... Seus pais, tristes... Encontram com o homem do futuro, e esse, diz: Registrem esse momento, essa criança vai ser muito feliz e conquistará o mundo com a sua forma de amar. Os pais dela se perguntaram: “Mas como?! Meu filho está morrendo, tem poucos dias de vida!”... E o homem do futuro, apenas lamentou... Mesmo assim, os pais acreditaram... Não deixaram a criança desamparada, cuidaram dela... E em um milagre, a criança se recupera de sua doença, e volta a ser saudável. Mas o homem do futuro ao se despedir, diz: “Eu volto, nos anos 90, eu volto!”... Anos 90, mais uma vez essa criança é desenganada pelos médicos... E volta o homem do futuro, chega bem perto da mãe dessa criança e diz: “Não desista! Registre tudo, essa criança vai lhe dá bons frutos!”. E como já sabia que o homem do futuro não falhava, essa mãe acreditou. Sete anos de tratamento ininterruptos, médicos, hospitais, medicações, internações... A criança que já estava se tornando adolescente resistiu mais uma vez. E os pais acreditaram mais ainda no futuro, no homem do futuro.
Hoje, o homem do futuro chega a sua casa, em seu escritório, onde quer que você esteja, e vai pedir para que você registre todos os momentos difíceis, os mais cruciais, mais adversos... E vai pedir que você não desista, que você lute, que você enfrente a insônia, que você enfrente a doença, que você enfrente a perda de uma pessoa querida, a desilusão de um amor perdido. Ele diz que se você souber esperar, o futuro cairá como uma pluma em suas mãos. Então, curta todos os momentos que você puder.
Ame como se nunca tivesse sido magoado. Perdoe como se não houvesse outra escolha. Sorria hoje, amanhã e sempre. Deixe palavras boas no coração das pessoas. E ao se despedir, diga até logo, até breve... E saia como chegou, com alegria. Alegria essa que vai definir o seu futuro. Amor esse que vai te levar a lugares onde você nunca imaginou. Perdão esse que vai te ensinar o dom que é amar o nosso próximo. O homem do futuro chegou, e veio te dizer algumas coisas importantes para você. Agora ouça-o... E não tenha medo.
E sobre a criança da história, onde o homem do futuro veio visitá-la por duas vezes, essa criança está aqui, neste exato momento, vos escrevendo essa história para e pronta para o futuro. Portanto, não esqueça: Sonhe o quanto mais alto você puder, a vida vai dá um jeito de realizar. E realize seus maiores sonhos, a vida vai lhe agradecer por isso.

domingo, 14 de agosto de 2011

TEXTO.



A ESSENCIAL ARTE DE SAIR DE CENA.

O filme acabou, o ápice aconteceu, a mocinha ficou com o galã. Ou o vilão perdeu para o herói. A peça encerrou com os aplausos e o êxtase publicamente notado. E o show, por ora, terminou. Foi assim que se deu a saída de cena, no melhor de tudo. No mais sublime, pleno, no momento mais alto. Assim haveria de ser conosco, nós seres humanos e humanizados - aprendermos a sair de cena.
Sair de cena é uma arte, porque se exige tátil, feeling, cuidado, atenção redobrada, observações e além de tudo, saber fazer com que o filme, a peça ou o show sejam inesquecíveis justamente pelo seu final.
E é assim também com as pessoas que se tornam inesquecíveis, pois elas sabem sair de cena, e deixam sempre o perfume suave de sua essência em nossas vidas.
Pessoas especiais, não saem de cena com atos abruptos e relapsos, elas simplesmente saem. Mostram que o fim chegou, mas que não será preciso de mais nada para ser lembrada. Pois antes, ela se preocupou com o processo de encantar as pessoas, de cantar para as pessoas, e hoje, está colhendo o que plantou.
E o mais bonito que vejo agora, e acredito que alguns também aqui vêem, é que podemos expor isso sem precisar nos preocupar com o que os outros vão dizer, ou vão pensar, pois é na despedida que a gente expressa tudo, sem ser cobrado por nada. É o momento único, que pode ser o último, ou quem sabe, apenas mais um. Quem decidirá? A vida! As nossas decisões e o poder que o destino tem sobre nós mesmos.
Portanto, se o show acabou, a música ainda ecoa aos seus ouvidos. Se o espetáculo findou, as personagens ainda estão em sua alma. E é por isso, que a vida real e a vida inventada são tão próximas uma da outra. Não existe show mais bonito que o espetáculo da vida. E não existe vida, sem o espetáculo que é viver a vida aproveitando os bons momentos, como este.
E sem muitas delongas, e sem prolongar-me mais, aqui encerro a minha participação: saio de cena, e deixo a minha alma em cada coração que aqui estiveram. Porque não existe ator sem palco, músico sem música, cantor sem voz, e cinema sem imagem...E sem vocês, nenhum desses existiriam...
...que as cortinas fechem, porque o show precisa continuar.

Leniclécio Miguel.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

REFLEXÃO.




POR QUE A GENTE VOLTA?

“Era um caminho longo, quase inacessível. Seguir em frente era somente uma opção, dentre tantas a escolher.”

Eles decidiram, não havia mais relacionamento. Depois de tanta relutância, insistência, persistência em ficar; não se houve alicerce suficiente para tal. Partiram, deixaram as mãos em uma despedida, os olhos quase não se fitaram. Os braços quase não se balançavam na hora do adeus; e os rostos, estes sim, abatidos como se tivessem passado por uma noite inteira de insônia.

Foram dois anos de afastamento; cruzaram-se nas ruas, mas nenhum esboço de cumprimento. Olhares atravessados, rostos franzidos, corpos distanciados. Por fim, uma sensação de que nunca mais iam se aproximar.

Tarde da noite, o telefone toca: Em poucos instantes a constatação, a reaproximação deu-se quando se menos esperava. Um já estava sem esperanças; o outro sentia saudade, mas não sabia como se aproximar.

Poucos minutos de conversa, e lembranças jamais esquecidas – reapareceram os sentimentos, os mais nobres. Reaproximaram-se, descobriram a amizade onde não havia terra fértil. Plantaram novamente o amor onde já não se dava mais nada pela aquela terra árida.

E hoje, mais do que nunca, viram o quanto estiveram certos em se distanciarem, em não tentar uma amizade naquele momento, pois saberiam que iriam perder o que por tanto tempo era o mais caro entre eles – o amor.

Diante disto, me fiz à pergunta: Por que a gente volta? E pude perceber algumas coisas, observações cotidianas, que nos levam a boas reflexões.

A gente volta porque o perfume ainda é exalado, porque a essência ainda está em nós, porque o outro, mesmo distante, sempre permaneceu.

A gente volta porque precisa fechar ciclos, precisa iniciar um novo caminho – este sim, sem resquícios de um passado amargurado, triste.

A gente volta porque naquele momento, seguir era a melhor opção, dentre tantas outras. Por isso que a gente volta, porque o amor ainda está ali, esperando ser tocado, ser sentido, acarinhado e massageado por outro coração, que mesmo cansado, sabe muito bem cuidar do outro.

Enfim, a gente volta porque não sabemos ir mais adiante, e é preciso recuar para aprender a caminhar com passos mais firmes, mais precisos e mais equilibrados. A gente volta porque sentimos todos os perfumes, mas dentre eles, sabemos qual é o do nosso ser amado.

É verdade, a gente volta porque o perfume ficou em nós, e mesmo que outrora, sendo apenas uma lembrança em nossas mentes, queremos que este – o perfume, seja um sentido em nosso olfato...acho que é por isso que a gente volta...
...Para se dá uma nova oportunidade de um recomeço mais inteligente, mais feliz e por fim, mais certo.
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sexta-feira, 8 de abril de 2011

HOMENAGEM.


...QUANDO A GENTE VOLTA.

É, já me sinto distante e não a vejo todo dia. Mas eu tenho certeza do amor que sentimos um pelo outro. E mesmo quando não nos falamos, os olhos falam, os gestos dizem o que nenhuma palavra pôde dizer.

Já fui criança, aliás, todos nós já fomos. Já pude sentir de perto o amor que ela me dava. O cuidado, o zelo, a educação. Os valores primordiais para me tornar quem hoje realmente sou. Não mediu esforços para me ensinar a ter princípios, a ter educação e ser gentil com as pessoas. Ah, e também não falar em meio à conversa de adultos, ou passar onde eles estivessem conversando. Palavrão? Ih...Não podia! Assim também como não podia chamar as pessoas de: “cara”, “velho” ou qualquer outra gíria.

Na minha intransigência, achava isso péssimo. Não podia falar muita coisa, era sempre controlado, observado. Mas hoje, sei do que aquilo se tratava. Tratava-se de bons modos, bons costumes, educação, gentileza, respeito às pessoas. Sem aquelas “chatices” talvez eu não estivesse onde estou hoje.

Sou um ser humano apaixonado pela vida, pelas pessoas, por ajudar o próximo. Por ter sempre uma palavra de conforto ou de entusiasmo. Além de; saber calar, saber ouvir, respeitar às opiniões alheias, bem como, não distratar ninguém. "Não roube o lápis do coleguinha", "divida sempre o seu lanche com seu colega que não trouxe", "ensine os demais às tarefas caso eles não saibam ", foram as frases que nunca precisei ouvi-las para praticar, porque os seus ensinamentos já estavam embasados nelas.

Hoje já estou crescido, um menino grande. O meu corpo já não cabe em seu colo, e ela não pode mais me pegar nos braços. Mas como gostaria de voltar ao passado, somente hoje, por um instante, para sentir o gosto materno do cuidado, do zelo - quando estamos criança.
De ficar doente, mas ser bem cuidado. De fazer birra, levar broncas, mas saber que tudo aquilo foi por amor. De brincar com meus irmãos, de esperar a hora do almoço, ou de ir incomodá-la na hora de sua sesta.

É mainha... A gente cresce, as coisas acontecem e o que a senhora plantou em mim, hoje colho com todo carinho do mundo. Mas confesso que tem hora que dá vontade de voltar, de viver a experiência do útero, de sentir novamente o seu cuidado de quando eu era criança. Dá vontade de reescrever as experiências e fazer muita coisa diferente, principalmente, a decisão de amá-la desde cedo. 

Se bem que, a experiência da vida e o contato que ela nos traz, não há como não existir o amor entre nós. Mas gostaria de ter dito isto com mais frequência, com mais força e com mais dedicação em minhas atitudes. Hoje posso dar graças a Deus por saber que posso expressar o que sinto, e saber que a senhora me entende e me perdoa.

Ainda prometo-lhe mais amor, mais cuidado e mais atenção, porque quando a gente sente saudade, a gente volta... pro colo, pros braços, pro lar, pro cuidado sem fim. E que eu envelheça sabendo lhe pedir a bênção, sabendo lhe respeitar, e não esquecendo de lhe amar. E é por isso que na minha forma mais humana e humanizada que posso ser, digo-lhe: MUITO OBRIGADO POR TUDO!

Texto: Leniclécio Miguel (seu filho).