O AMOR É DIVINO, MAS ACABÁ-LO É COMPLETAMENTE HUMANO.
Certo dia entrando no ônibus para ir à casa de meus pais ouvi a seguinte conversa: “_Eu acabei o namoro. Ele estava me enganando. Bem que eu vi umas fotos dele no Orkut com ela, e no MSN ele não me dava mais atenção.”
Acho incrível a capacidade que o ser humano tem em gostar de sofrer. Ele procura motivos para desconfiar, para não acreditar, para não aceitar a verdade, para sofrer mesmo. E, diante dessa conversa eu fiquei me questionando: “Será que o amor ainda existe?” “Será que ninguém consegue mais ser feliz?” “Onde estão os romances atemporais, apenas nos filmes?”.
E em outro momento ouvindo uma estação de rádio pela internet, vi o radialista falando de um cyber-ouvinte que mandava uma dedicatória de amor para sua esposa, por estarem fazendo 2 (dois) anos e alguns meses de casamento. As pessoas que estavam do meu lado, digo, meus amigos falaram num tom de ironia: “Que Deus abençoe esse amo!”. E olharam-se entre si e sorriram.
Fiquei um pouco estranho diante daquele comentário, quase que perguntava se eles acreditavam no amor. Mas, preferi calar para não ter que perder a minha razão. Porém, algo me fazia inquietar. Fiquei me questionando mais uma vez na incredibilidade das pessoas quanto ao amor. E isso gerou em mim um sentimento de revolta, pelo qual me fez buscar respostas para essas perguntas e tentar dar uma explicação convincente às pessoas sobre o AMOR.
Então vamos lá...
Primeiro, o amor nasce no coração de todos sem nenhuma acepção. Não acredito que em todo mundo exista alguém que não saiba/acredite/conheça (o que é) o amor. Se você nunca amou, seguramente nunca viveu de verdade. O amor é algo que dilacera o coração, nos faz perder a razão, amar não exige diploma, não ignora os leigos, não cobra “royalties”, não traz desespero, pois tudo se torna inerente.
Segundo, se você não acredita no amor, você não acredita em você mesmo. Pois, como posso acreditar em mim se sou parte de um amor de outrora, um amor gerado pelos meus pais que culminou em meu nascimento. Desistir de amar, desistir do amor é desistir de viver, e não acho muito sentido nisso. Já ouvi muitos falarem: “Só amei uma pessoa na vida”. E vivem a vida inteira afirmando isso, mas esquece de viver plenamente, criar novas possibilidades para o amor, aproveitar a amplitude do momento e, conhecer alguém que lhe tire o fôlego e lhe traga novamente o amor. Simplesmente acham mais fácil dizer que não vai amar mais ninguém. Ou seja, cria um tipo de armadura invisível que “condena” qualquer amor que esteja emergindo em seus corações, pensando que só assim, fará “in memorian” do amor passado. Acho isso uma falta de amor próprio tremendo, dedicar sua vida inteira apenas a um amor. Acredito que o ser humano é amável e amante, amado e poder amar constantemente.
Terceiro, nunca o sofrimento caberá no seu coração, sempre irá lhe incomodar, você sempre estará/ficará mais feliz quando estiver amando. Mesmo sabendo que existam várias pessoas que preferem o “meio-de-campo”, ou seja, nem vão para defesa e nem arriscam o ataque, ficam no meio e nada se mexe, nada acontece. Vivem a eterna disposição da zona de conforto, onde para essas pessoas se doar por inteiro, sem reservas não vale mais à pena. Acho isso lamentável, não consigo entender o amor pela metade. O amor incompleto. Costumo dizer o seguinte: “Se não for pra ficar, não precisa entrar. Meu coração já se cansou de caridade.”
Mas sem querer invadir sua privacidade e muito menos seus sentimentos, lhe faço essa pergunta e espero que você responda para dentro de si mesmo: “O que lhe falta para AMAR?”
Se a resposta for: TER UM AMOR. Eu lhe digo: Vá em frente, busque, lute, vibre com seus sentimentos, expresse-os. Sorria, vislumbre a vida, se entusiasme, se doe, abrace, beije, se apaixone sempre...E se não encontrar a pessoa certa nas primeiras noites, chame o garçom e diga: A conta por favor. (...) Foi um prazer, até logo.
Não perca os melhores momentos de sua vida por falta de amor, por falta de envolvimento. Não acredite nos amores sexuais, dos quais só saímos machucados e cada vez mais armados para o verdadeiro amor; real, sincero, completo, atemporal. E por esse motivo perdemos a chance de encontrar alguém, compartilhar momentos, viver nossa vida ao lado, repito: ao lado desse alguém e que ele lhe mantenha vivo, respirando e exalando o perfume do amor. Só não esqueça: “O AMOR É DIVINO, MAS ACABÁ-LO É COMPLETAMENTE HUMANO.”
Leniclécio Miguel.
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