A DANÇA, A MÚSICA E O NÉCTAR.
A música toca, aliás, nós cantamos a música. Ela dança, os nossos corpos respondem, um bolero, um tango, um forró, um axé, um frevo. Era noite, a varanda não coube tanta felicidade, o espaço ficou pequeno, a sala encerrava-se em cada passo dado. Fora preciso ir mais alto, ver as estrelas, observar a lua, curtir o frio a dois, e tantos a nossa volta.
Sabe dançar? Sei sim! Então vamos, são “dois pra lá, dois pra cá”... Acompanha! Não consigo! Preciso ouvir música. Mas há música, ouça o som da noite, a lua cantarolando essa bela serenata, até o vento sopra no compasso... são “dois pra lá, dois pra cá” ... Não consigo, preciso ouvir música! (risos). Tudo bem, eu canto para você...
“Batidas na porta da frente, é o tempo. Eu bebo um pouquinho pra ter argumentos... Mas fico sem jeito calado, ele rir, ele zomba do quanto eu amei, diz que somos iguais, eu não sei...” – É triste, né? Deixa eu cantarolar outra. “...Sabes mentir, hoje eu sei que tu sabes mentir, um falso amor abrigaste em meu coração, sempre a sorrir, tu falavas com afeição, dessa paixão que devias sentir.” – É, essa também não é propícia ao momento. Tudo bem, vamos parar.
Mas a música continuou, a sinfonia era magnífica, Bethoween, Choppin, Mozart... Jamais compuseram admirável obra. O amor estava ali, rente a nós, embebecido de vinho, de néctar, de desejo. As canções que outrora ouvimos, as palavras que outrora falamos, tudo guardado, sentido, desejado.
A música, a dança, o sincronismo, não era preciso tanto. O que foi preciso, e que foi tanto, foram os toques, o sentir, o cheiro, o beijo, o olho, o olhar, o abraço... E a constatação: Você não me é estranho... Bem, você também não. Um jovem, e um maduro, unidos pelo o único desejo, o desejo de encontrarem a alegria de suas vidas.
Por fim, a dança continua em nossos minúsculos movimentos, e a música até nos pingos de chuva que ouvimos. O cheiro está impregnado, o desejo aguçado, e os dias contados... Para eles se encontrarem novamente.
Pode ser que haja dança, haja música, haja os dois... Ou simplesmente, bons motivos para eles serem felizes no momento que se aproxima.
Caruaru, 23 de Julho de 2011.
Leniclécio Miguel.
