MÚSICA E EMOÇÃO À FLOR DA PELE!
Resolvi ouvir uma música que fazia meses que não ouvia, e por incrível que pareça, ouvi cinco vezes. Mas, mesmo ouvindo repetidamente a mesma música, a cada estrofe cantada eu me surpreendia com as frases de efeito, que a cada audição se tornavam inéditas.
A música mexia com meus sentidos, com meus sentimentos e com minhas emoções. A cada palavra dita, uma emoção sentida. Era demais, ouvir cada melodia e degustar cada sentimento sentido. Por alguns momentos eu pairava e me sentia bem por nada. Estranho isso, mas era verdade. Já em outros momentos, sentia nostalgia, uma repentina tristeza, mas passava.
Foi assim, que ouvindo a música, eu pude perceber quanto o amor faz parte de minha vida, e quanto as minhas emoções ainda ficam afloradas ao ouvir essa música. Às vezes a gente pensa que esqueceu um sentimento, mas na realidade, a gente tenta esquecer a nós mesmos. Pois o sentimento já está impregnado, correndo nas veias, aturdindo as emoções.
E esquecer a nós mesmos, é simplesmente, se anular por alguns instantes. O fim de algo é sempre doloroso, sempre traz algum tipo de exaspero, mas por mais que soframos, temos que seguir em frente, mesmo sabendo que em alguns momentos, vamos tentar fugir de nós mesmos.
A presença do vazio é fato, a gente fica incomodado por nada. Pois, já não temos a presença, mas o fato de estarmos vazio, isso nos incomoda. É o corpo e alma que se acostuma com a presença, mesmo não tendo mais. Veja um exemplo: Se pegarmos uma caneta e colocarmos em uma de nossas mãos e, passarmos um tempo com ela, ao retirarmos e novamente abrirmos as mãos, teremos a sensação de que a caneta ainda continua em uma de nossas mãos, mesmo não estando. É a presença do vazio, o incômodo da falta, o peso do passado, nos artudindo.
Mas voltando a música, eu pude ouvi-la de várias maneiras e interpretá-la de vários modos. E a cada momento eu me via no espelho, até o meu rosto e meu semblante mudava, mas eu sentia que o amor que havia em mim continuava ali, imutável. E a música tocava, tocava e tocava, e eu ia sentindo, degustando e exalando cada refrão, cada melodia e cada nota tocada.
Muitas vezes a gente tenta esquecer algo que foi vivido, mas esquece de que o que foi vivido não mais se esquece. Os planos, os momentos passados, os sonhos sonhados a dois, as diversas lembranças, já não podem mais serem apagadas. Cabe a nós convivermos com a presença do vazio e, procurar nesse vazio, o amor que intrinsecamente fica em nós, o nosso amor próprio.
Autor: Leniclécio Miguel
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