Hoje volto a escrever em meu BLOG, que por sinal, estava entregue às baratas. Às vezes acho que é falta de tempo, às vezes falta de assunto, e às vezes os dois. Ultimamente tenho focado minhas tarefas e agenda em cuidar de um romance, de dois trabalhos e de amigos. E, nessa empreitada dificilmente lembro-me de vir aqui, às vezes passo como um leitor, e nem sequer paro para ler os comentários. Mas, não é falta de consideração, é que ultimamente tenho estado indisposto para falar sobre os temas que antes eu abordava com tanta propriedade, principalmente: o amor. Jurava que sabia falar a respeito dele, que não teria outra pessoa que falasse ou escrevesse com tanta convicção quanto a mim. Me enganei, descobri há alguns dias que não sei falar sobre o amor, na realidade, não sei nem se outrora já amei. E venho aqui, em carta aberta, pedir perdão à todos que um dia se iludiram com os meus textos. Mas não precisa se preocupar, eu vou explicar-lhe os porquês dessa minha mais nova descoberta.
Há aproximadamente 4 (quatro) anos atrás, tive meu primeiro envolvimento amoroso, que resultou em várias descobertas e observações que outrora não tinha atinado. Eu jurava que estava amando, que era a pessoa da minha vida, e que eu ia terminar ou continuar a minha vida ao lado dela. Em menos de 1 (um) ano, as coisas mudaram; brigas, incompreensões, desprezos, desinteresses, e desrespeitos tomaram conta daquele amor que eu julgava ser o mais bonito e puro que eu já pudera ter vivido. E a ficha foi caindo, fui descobrindo o amor realista, o amor humano, sem ilusões e sem tanta expectativa. Sofri muito até chegar a esse patamar de pensamento, mas me dediquei a encontrar as respostas no âmago de meu ser e a treinar esses novos sentimentos.
Dois anos depois, uns flertes, uma troca de olhares, um jeito diferente de dizer obrigado, e um balançar de braços. Somaram-se numa troca de contatos, em ligações, encontros, envolvimento, casamento. Estava enlaçado matrimonialmente, totalmente apaixonado e jurando amor eterno, me entregando novamente às armadilhas, às dependências da vida. Um envolvimento de quase 2 (dois) anos, e muita coisa mudada, revelada, e trazida à tona. Faltou-se respeito novamente, compreensão, cumplicidade, mas me trouxe amadurecimento. Como sempre, houveram-se perdas, lutos e resiliência. O relacionamento chegou ao fim, e foi difícil, confesso que nunca pensei que iria sofrer tanto. Mas, venci, na realidade, vencemos.
Mais dois anos depois, um envolvimento de aproximadamente 4 (quatro) meses, novamente o fim, não havia pontos em comum pelo qual o relacionamento tivesse alicerce, suponhei ser uma linda história de amor, e infelizmente, eu a deixei lírica demais, muito sonhadora, suspensa nas nuvens.
Hoje, estou em mais um envolvimento, muito difícil, para lhe dizer a verdade. A cada dia eu descubro algo novo, e tento dá sentido. Por mais que a gente pense que somos os donos da verdade, sempre tem uma verdade que se sobrepõe à nossa. E com a razão não é diferente. Um dia eu estou muito feliz, outro dia estou ansioso. Decerto, esse deverá ser o relacionamento pelo qual eu mais aprendo, e também mais me esforcei comparando-o aos outros. Nesse, eu reconheço sem ser reconhecido, eu perdoo sem ser pedido, eu agradeço sem precisar ser agradecido. Não meço esforços para estar perto, para ajudar, para compreender, mesmo por vezes não sendo compreendido. Mas não posso dizer que tenho certeza de que será um amor atemporal, e nem muito menos que vamos ser feliz o resto da vida. Adoraria, mas somos humanos, condicionados ao erro, ao descuido, aos atos falhos. Hoje, não preciso ter certeza de que sou amado, mas preciso ser amado. Assim como me envolvo e como me disponho a amar. E como o título do texto sugere, venho aqui levantar essa pergunta: Para quê ter certeza? Se o mais emocionante da vida é a descoberta! Que tenhamos poucas certezas, várias dúvidas e outros sentidos. Assim, não vamos esquecer do melhor da vida - que é viver!
Texto: Leniclécio Miguel ®