O ÚLTIMO ADEUS
Já não há lágrimas, tristezas e choros. Já faz tanto tempo, mas ainda não esqueci. Não esqueci o teu rosto, o teu gesto, o teu gosto - às vezes insosso. Me pego pensando em você, te vendo partir, olhando de ombros, dizendo: “Tchau, visse?! Fica com Deus!”. E seguir...
... Partir para não mais voltar, sem deixar ao menos uma última frase de efeito, sem um beijo de despedida, sem um olhar de nunca mais. Marcou, me marcou demais tudo isto. Mas não dói mais.
E mesmo pensando no passado, me pegando na lembrança, e dispensando a saudade, não te esqueço. Não te esqueço, não sei o porquê, não sei a razão, mas gostaria de entender.
Mas eu não entendo, aliás, foram os meses em que eu mais duvidei, e os meses nos quais mais me marcaram. Gostaria que um dia, simplesmente um dia, alguém chegasse a mim e dissesse: Tudo isso que você passou foi por... Mas ainda não tenho explicação.
Agora olho o chão, me encontro raso, sem dores nem ressentimento, somente o vazio que o teu amor deixou. Eu sei que essa é mais uma das cartas tristes que escrevo pensando em você, não sei o motivo, só sei que se em algum dia te reencontrar, não precisa dizer como estás, deixa eu somente te olhar... E dizer adeus!
Leniclécio Miguel.
