sábado, 29 de janeiro de 2011

TEXTO.




O CHEIRO
Era o prometido, um cheirar de pescoço e estaria paga a promessa. Mas, não foi bem assim que isso tudo aconteceu.
Dia de sábado, a tarde nublada, uma suspeita de que eu não daria esse cheiro. Sabia que era brincadeira, pois ele tinha sido prometido. Ao desligar o telefone, sinto um cheiro suave que vinha da rua, foi chegando devagarzinho, exalei aquela sensação de paz. Ainda não tinha percebido, mas o cheiro tinha transpassado o meu corpo e penetrado o meu coração. Tive uma sensação de aconchego, de carinho. E fiquei esperando, certa hora o cheiro ia chegar.
Minutos depois, vejo subindo as escadas, os dois amores de minha vida. Um segurando o outro pela mão, e andando de cabeça baixa, tímida, como sempre foi. Ao vê-los subir, senti que o cheiro saia de mim, como se fosse uma exalação. E ao adentrarem, resolvemos isso, cumprimos o prometido de forma muito suave, com um cheiro no pescoço. O coração fez festa, o sorriso travou, os olhos brilhavam, tudo isso em um instante, um pequeno momento, mas que disse muita coisa.
O outro, o abracei com o mais sincero afago, daqueles que os fraternos dão após um tempo de saudade. Ele tímido, mas com um olhar encantador, profundo, daqueles que penetram a alma e dizem a que veio. Também o cheirei, mas não tinha sido prometido, foi apenas uma forma de carinho.
Eles estavam bem perto, aqui ao lado, e pude perceber de onde vinha aquele cheiro todo de afeto. Agora eles foram, mas daqui a pouco os encontro. Um, darei mais um cheiro, um abraço e depois nos amaremos como sempre fizemos. O outro, saciarei a saudade, o abraçarei novamente e lhe farei cafuné. Quem sabe até brincarei com ele, ou assistiremos um filme juntos. Tudo vai depender de onde pesar mais a saudade, o querer, o desejo.
O cheiro foi dado, e ao mesmo tempo ficou em mim. As duas promessas foram cumpridas, e agora o que me resta é amá-los, respeitá-los e viver ao lado deles como se essa fosse minha única opção.
Texto inspirado em Marcílio e Pedro.

Escrito por Leniclécio Miguel.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

POR QUE A CERTEZA??!

Hoje volto a escrever em meu BLOG, que por sinal, estava entregue às baratas. Às vezes acho que é falta de tempo, às vezes falta de assunto, e às vezes os dois. Ultimamente tenho focado minhas tarefas e agenda em cuidar de um romance, de dois trabalhos e de amigos. E, nessa empreitada dificilmente lembro-me de vir aqui, às vezes passo como um leitor, e nem sequer paro para ler os comentários. Mas, não é falta de consideração, é que ultimamente tenho estado indisposto para falar sobre os temas que antes eu abordava com tanta propriedade, principalmente: o amor. Jurava que sabia falar a respeito dele, que não teria outra pessoa que falasse ou escrevesse com tanta convicção quanto a mim. Me enganei, descobri há alguns dias que não sei falar sobre o amor, na realidade, não sei nem se outrora já amei. E venho aqui, em carta aberta, pedir perdão à todos que um dia se iludiram com os meus textos. Mas não precisa se preocupar, eu vou explicar-lhe os porquês dessa minha mais nova descoberta.
Há aproximadamente 4 (quatro) anos atrás, tive meu primeiro envolvimento amoroso, que resultou em várias descobertas e observações que outrora não tinha atinado. Eu jurava que estava amando, que era a pessoa da minha vida, e que eu ia terminar ou continuar a minha vida ao lado dela. Em menos de 1 (um) ano, as coisas mudaram; brigas, incompreensões, desprezos, desinteresses, e desrespeitos tomaram conta daquele amor que eu julgava ser o mais bonito e puro que eu já pudera ter vivido. E a ficha foi caindo, fui descobrindo o amor realista, o amor humano, sem ilusões e sem tanta expectativa. Sofri muito até chegar a esse patamar de pensamento, mas me dediquei a encontrar as respostas no âmago de meu ser e a treinar esses novos sentimentos.
Dois anos depois, uns flertes, uma troca de olhares, um jeito diferente de dizer obrigado, e um balançar de braços. Somaram-se numa troca de contatos, em ligações, encontros, envolvimento, casamento. Estava enlaçado matrimonialmente, totalmente apaixonado e jurando amor eterno, me entregando novamente às armadilhas, às dependências da vida. Um envolvimento de quase 2 (dois) anos, e muita coisa mudada, revelada, e trazida à tona. Faltou-se respeito novamente, compreensão, cumplicidade, mas me trouxe amadurecimento. Como sempre, houveram-se perdas, lutos e resiliência. O relacionamento chegou ao fim, e foi difícil, confesso que nunca pensei que iria sofrer tanto. Mas, venci, na realidade, vencemos.
Mais dois anos depois, um envolvimento de aproximadamente 4 (quatro) meses, novamente o fim, não havia pontos em comum pelo qual o relacionamento tivesse alicerce, suponhei ser uma linda história de amor, e infelizmente, eu a deixei lírica demais, muito sonhadora, suspensa nas nuvens.
Hoje, estou em mais um envolvimento, muito difícil, para lhe dizer a verdade. A cada dia eu descubro algo novo, e tento dá sentido. Por mais que a gente pense que somos os donos da verdade, sempre tem uma verdade que se sobrepõe à nossa. E com a razão não é diferente. Um dia eu estou muito feliz, outro dia estou ansioso. Decerto, esse deverá ser o relacionamento pelo qual eu mais aprendo, e também mais me esforcei comparando-o aos outros. Nesse, eu reconheço sem ser reconhecido, eu perdoo sem ser pedido, eu agradeço sem precisar ser agradecido. Não meço esforços para estar perto, para ajudar, para compreender, mesmo por vezes não sendo compreendido. Mas não posso dizer que tenho certeza de que será um amor atemporal, e nem muito menos que vamos ser feliz o resto da vida. Adoraria, mas somos humanos, condicionados ao erro, ao descuido, aos atos falhos. Hoje, não preciso ter certeza de que sou amado, mas preciso ser amado. Assim como me envolvo e como me disponho a amar. E como o título do texto sugere, venho aqui levantar essa pergunta: Para quê ter certeza? Se o mais emocionante da vida é a descoberta! Que tenhamos poucas certezas, várias dúvidas e outros sentidos. Assim, não vamos esquecer do melhor da vida - que é viver!

Texto: Leniclécio Miguel ®

sábado, 1 de janeiro de 2011

REFLEXÃO.


RENOVAR o AMOR, a CONFIANÇA e a ESPERANÇA em 2011.
 Estamos chegando a mais um fim de ano, com ele foram-se os planos, as metas e os objetivos. Se concluídos, tudo ficou azul. Se não concluídos, restou o ano de 2011 para saldar as prioridades que não foram atingidas. 2010 passou rápido, nem parece que tivemos 365 dias, 52 semanas, 12 meses. Ah, e muitas horas, muitos minutos e vários outros segundos. Foram aproximadamente 8.760 horas existentes para se fazer tudo, ou ficar parado e não fazer nada.
Fazendo o balanço anual, identifiquei que atingi 60% de minhas metas e prioridades neste ano. No ano de 2009 foram 76% atingidos, o que me leva a crer que realmente 2010 passou voando ou não fui tão competente assim. Quase não tive tempo de abraçar os meus amigos, e muito menos de olhar para alguém que estava querendo ajuda. Foram 525.600 minutos de correria, ansiedade, estresses, poucos sorrisos, muitos impasses, poucas generosidades, muitos mal entendidos, e poucos pedidos de perdão.
Agora em 2011 que possamos renovar os votos que outrora não foram afirmados; renovar o amor é sempre estar disposto a perdoar, a compartilhar e também ajudar o próximo a se ajudar. Acreditar no próximo é dar-se uma chance de confiar em si mesmo. E renovar as esperanças e aprimorar as suas qualidades, como também, aperfeiçoar as suas imperfeições.
2011 está vindo com bastante promessas e se soubermos canalizar bem as energias, certamente ele será um ano maravilhoso. Dizem que os anos ímpares são os melhores, não sei qual força isso tem no universo, mas se for verdade, que assim seja. E que o amor, a confiança e a esperança sejam tratados de forma nobre, abundante e constante. 
Pois então, é chegada a hora de fazermos novos votos, novas promessas e traçarmos novas metas. De abraçar mais o nosso irmão, de olhar mais profundamente e enxergar a alma de cada um. De perdoar, de ceder, de compreender e ajudar.  De esquecer as mágoas que por ora nos fizeram, de deixar sempre um agradável perfume nas mãos de quem cumprimentamos, e de sorrir para os que precisam, e agradecer com outro sorriso os que lhe cumprimentam.
Já decidiu como será o seu? Já colocou na sua agenda as suas prioridades para 2011? Se não, aproveite para começar a partir de hoje, decidindo conhecer novas pessoas, sorrir mais para o seu semelhante, agradecer a Deus pela a dádiva de estar vivo e poder estar compartilhando desse momento de alegria com todos. E que venha 2011, com novos desafios, novas descobertas, novas alegrias, e nova esperança. Renove já, reinvente-se agora, o tempo não pára e você terá apenas 31.536.000 segundos para respirar. Portanto, aproveite cada instante de sua vida para inspirar os mais nobres sentimentos. E agradeça! Agradeça a Deus por tudo e por todos, e pela Sua infinita sabedoria, agradeça. E que os anjos digam: amém. Que a vida diga: sim. E que os seus desejos mais íntimos sejam realizados. Um forte abraço, um grande beijo e vários sorrisos sinceros em sua caminhada. Feliz 2011!

Texto: Leniclécio Miguel