sábado, 20 de novembro de 2010

TEXTO.


DESPEDIDA

Era pra ser apenas mais uma despedida, onde os braços se tocavam pela última vez no fim de semana, e os olhos se distanciavam nesse desencontro tão desnecessário, mas que estava fazendo tanto sentido, naquele exato momento. Um pedia força, o outro pedia amor, mas na realidade, os dois pediam... Pediam olhos nos olhos, boca na boca, sexo no sexo, abraço no amplexo, beijo no ósculo.
Tudo estava decidido, e dar meia volta, seria regredir, seria aturdir um sentimento tão nobre e corajoso – o de amar à distância. A emoção falava à flor da pele, o coração já não sabia mais o que era compasso, e as mãos distônicas suavam frias. Os olhos já se olhavam com despedida, era tão certo, quanto os nossos sentimentos.
E pensar que antes, vivemos dias tão agradáveis e noites maravilhosas; entre restaurantes, passeios e amigos. Precisei ir embora, já era hora, a saudade tinha que ficar. Você tentou ser forte, eu achei melhor ser humano, e naquele momento, chorar seria a minha melhor opção. E as horas foram se passando tão rápido, que olhar no relógio já era motivo de agonia, de desespero.
Chegou a despedida, os rostos se encaravam e as mãos não se largavam, como se tudo fosse confirmado naquele momento, naquele instante de saudade. Foste comigo e ficaste comigo até que não se fazia mais necessário estar ali, e num gesto de carinho, onde poucos perceberam o quanto de amor esteve naquele beijo, foste sem olhar para trás, com medo de não continuar seguindo. E eu fiquei, os olhos se encheram de lágrimas, as mãos não conseguiam balançar no adeus, tudo extático, parado, estagnado. Mas a certeza de que tudo está sendo maravilhoso e que a cada dia eu me esforço mais para te amar sem condição.
Hoje o teu amor faz parte do meu dia-dia, como se fosse uma prece. E te ouvir, te entender, te respeitar e tolerar, é a minha escolha. Eu bem sei do que quero, assim como sei quem eu quero. A distância hoje somente dá saudade, e não consigo mais aceitá-la. Me proponho sempre a resignação, que por ora, acontece. Nós vamos longe, e já chegamos às nuvens, onde cada um, em alguns instantes, segura o outro e o deixa pairando no ar. É forte, é amor de verdade, daqueles atemporal, que você ou eu podemos até passar, mas o amor ficará. Só não tenho certeza do tempo, mas quando estou com você, não preciso ter certeza de mais nada.

Texto: Leniclécio Miguel

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Ao amor, sempre!


Não é à toa que a vida vem sempre sendo chamada de caixinha de surpresa. Nesses últimos dias, venho descobrindo isso a todo instante. O desfecho de um amor, como sempre, causa muita angústia, indecisões e resquícios de mágoas. Mas, nada melhor do que uma nova fonte de vida, uma nova gota no orvalho, um novo sopro no rosto, um novo perfume nos lençóis.
Foi preciso ser espetado várias vezes por espinhos, ser enganado várias vezes pela rosa e, mesmo assim, amar sem esperar nada em troca. O coração já estava cansado, demasiadamente iludido, sem muita expectativa, mas sempre resignado. Foi a espera, a humilde e sábia espera que me fez hoje estar assim. Acredito que esse momento só pode acontecer devido aos meus treinos diários, que por ora, foram esses: Paciência, sabedoria, altruísmo, compaixão, compreensão, cuidado, afeto, atenção...e todos se repetem na mesma ordem, ou aleatoriamente, sempre.
O amor chegou, está bem perto, rente ao coração. Estou decidindo se o deixo entrar, mas tudo indica que ele vai burlar algo e entrar, mesmo que eu não o permita. O amor é assim, você se guarda, se resguardar, se tranca, mas ele sempre encontra uma entrada, uma falha no seu sistema romântico-emocional. Às vezes ele entra pela janela, sorrateiramente. E, como não tenho controle sobre ele, apenas o aceito.
A certeza do que se quer, e com quem se quer, hoje está mais veemente. Acho que a única dúvida é: Até quando?  - Isso, os fatores implicarão, bem como as decisões. Enquanto isso, a gente vai vivendo, vai experimentando os gostos, os novos sabores, provando um ao outro e vai vendo até onde o gosto fica. E se ficar, que dure!
É assim, bem como as desilusões que tive, que hoje me sinto mais equilibrado e feliz. Não tem muito segredo, basta apenas saber dosar; uma pitada de afeto, outras tantas de cuidado. Ah! Não se esqueça das dosagens mais agudas de: Respeito, compreensão, cumplicidade e lealdade. Agora, se depois disto você ainda não souber, experimente ousar mais, ir mesmo à luta. Assim como eu, você encontrará no fim do túnel uma luz, pode ser que demore, mas não esqueça: As melhores coisas da vida sempre demoram, e precisam ser aprimoradas. Nessa caminhada você sempre encontrará pontes, pontes e mais pontes, mas não se desespere, o seu porto seguro chegará, assim como o meu chegou!

Texto: Leniclécio Miguel.