quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

TEXTO.



“Quem sabe um dia...”

Foi assim que despertei para a conversa. Noite de terça-feira, e uma conversa amigável na internet. De um lado, uma amiga de pouco tempo, mas que já tem grande sentido em minha vida. Do outro lado, eu, um pouco triste, pensativo, reflexivo... Acredito que vivendo uma das minhas crises existenciais. Mas não é disto que eu quero falar. A conversa fluía normalmente, falávamos de relacionamento, amor, desilusão, tristezas, ser feliz um dia. E por um instante, a “ouvi” escrevendo: “Quem sabe um dia...” E logo assim, perguntei: “Posso escrever um texto com essa sua última frase?”. Ela respondeu: “Sim, claro que pode.” Então, aqui está:

Quem sabe um dia é pouco, é pouco para os que amam, os que vivem, os que sorriem. Mas um dia é muito para os que esperam, para os que sofrem, os que esmorecem. Um dia pode resolver sua vida, ou aumentar os problemas que existem nela. Um dia cura, um dia salva, um dia também traz mais adversidades. Mas por que um dia? A gente pensa que um dia se refere a 24 horas, mas não é. Um dia, nesse contexto, quer dizer: Quem sabe um dia de uma eternidade. Porque, para os amantes um dia é pouco; só dá tempo de uns beijinhos, uns abraços, quem sabe algo mais.

Foi em um dia, algum dia, que o amor surgiu em mim. Surgiu o romance, mesmo piegas. E será em algum dia, que o que foi escrito vai ser consumado. Quem sabe em outra vida? No meu caso, não mais. Porque eu aproveitei o que tinha que aproveitar nesta vida. O que aconteceu foi a única coisa que poderia ter acontecido. Mas por que a gente não se conforma? Egoísmo? Solidão? Excentricidade? Não sei, mas cada um sabe o motivo que lhe resguarda esses sentidos.

E quem sabe algum dia retorne, somente para que a gente diga um adeus mais demorado, daqueles que olhamos nos olhos e dizemos às lágrimas. Ou não, mas para que possamos colocar em prática aquela famosa máxima que diz: “O que é seu, volta com o tempo.” Neste dilema, nessas duas situações, a gente se lembra que ainda há um coração. E que mesmo cansado, triste, tripudiado, ainda bate. Ele bate por um sentido, ele espera. É como o hibernar de um urso polar. Um dia, ele acorda e diz: “O sol, o verão, as flores. Agora é hora de viver.” E levanta, se despoja, e segue a sua vida rumo ao novo dia. Quem sabe não será assim conosco, quem sabe um dia?

Enquanto isso se divaga em silêncios audíveis, paixões abruptas, sensações. Percebemos o novo, mas ficamos presos ao velho. Porque, ainda estamos sentindo a perda, mesmo que seja aos poucos... E ainda esperamos a resposta de nossa oração: “Quem sabe um dia...”

Texto: Leniclécio Miguel

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

TEXTO.



O ÚLTIMO ADEUS
  
Já não há lágrimas, tristezas e choros. Já faz tanto tempo, mas ainda não esqueci. Não esqueci o teu rosto, o teu gesto, o teu gosto - às vezes insosso. Me pego pensando em você, te vendo partir, olhando de ombros, dizendo: “Tchau, visse?! Fica com Deus!”. E seguir...

 ... Partir para não mais voltar, sem deixar ao menos uma última frase de efeito, sem um beijo de despedida, sem um olhar de nunca mais. Marcou, me marcou demais tudo isto. Mas não dói mais.

E mesmo pensando no passado, me pegando na lembrança, e dispensando a saudade, não te esqueço. Não te esqueço, não sei o porquê, não sei a razão, mas gostaria de entender.

Mas eu não entendo, aliás, foram os meses em que eu mais duvidei, e os meses nos quais mais me marcaram. Gostaria que um dia, simplesmente um dia, alguém chegasse a mim e dissesse: Tudo isso que você passou foi por... Mas ainda não tenho explicação.

Agora olho o chão, me encontro raso, sem dores nem ressentimento, somente o vazio que o teu amor deixou. Eu sei que essa é mais uma das cartas tristes que escrevo pensando em você, não sei o motivo, só sei que se em algum dia te reencontrar, não precisa dizer como estás, deixa eu somente te olhar... E dizer adeus!

Leniclécio Miguel.

sábado, 29 de outubro de 2011



Um Diálogo Com o Coração

Tudo bem, agora é a minha vez de conversar com você... Primeiro, gostaria de saber algo. De fazer uma pergunta um pouco capciosa, mas que vai me ajudar a entender alguns porquês. Me responda: Por que você insiste em ter outra pessoa além de mim? [...] Por que você não contenta-se com os meus amigos ao seu redor, com meus familiares lhe agradando, e com meus colegas de trabalho sempre elogiando-me? Além de tudo isso, você ainda quer outro alguém? Persiste em arriscar? Em sofrer? [...] É, mas você não sofre... 

Quem sofre sou eu, você sabe disso. Então, me responda, por quê?!
Certo, você não vai responder?! Então, eu ainda continuo, e pergunto-lhe mais: Não está satisfeito com o meu amor? Não está satisfeito com a vida que eu levo junto a você? Não se satisfaz com os meus sorrisos, minha alegria, até vez por outra à minha felicidade? Me responda! Me fale algo, me tire desse monólogo, e interpele-se comigo, senhor emoção!

Mas eu ainda continuo, até você criar coragem e em alguma hora se manifestar. Ou você acha que tudo que eu já sofri não foi por sua culpa? Por sua insatisfação comigo, querendo sempre amar mais que a mim. Você entende o quanto eu me esforço para lhe agradar? Para encontrar alguém que o agrade, também?! Não, você não entende. Se entendesse, saberia sentir o que eu sinto quando não sou correspondido, quando sou mal amado, ou até mesmo, desprezado. E você, você continua aí, batendo a 80, 90, 100 até 140 por minuto. E eu?! Eu por ora paro, descompasso, desequilibro, desando... Às vezes, chego até a perder o rumo, somente por sua causa, seu ingrato!

Ah, é? Não vai se pronunciar? Então, de hoje em diante, e de agora para sempre, não te darei mais o bel-prazer se sentir amado. A partir de agora, evitarei os rostos sorridentes, encantadores, simpáticos, felizes, apaixonantes, ou seja lá qual adjetivo for de flerte, paquera, envolvimento, desejo, prazer, amor. É, agora será assim... Já que você não se pronunciou, eu digo e repito: Você não terá mais amor, entendeu? Não terá! 

Contente-se com alguns sentimentos que ainda restam em sua vida, como: bondade (que fora eu quem lhe dei), compaixão (que são os chegados que lhe emprestam), alegria (que você sente ao me ver feliz), e outros, e mais outros. Mas, o amor... Aquele que me tira do chão, que me deixa no ar, que me separa de tudo, e que só me deixa junto a você – este nunca mais você o terá.

E concluo: Não adianta querer que eu volte atrás, nem se pronunciar neste último instante, não vai adiantar. Pode espernear, se humilhar, e até se auto-flagelar, digo e repito: Para mim, já deu! E se você ousar me ludibriar, tentar modificar os meus pensamentos e essa minha decisão, não responderei pelos meus atos, sou capaz até de arrancá-lo de dentro, somente para não te dar este gostinho...

... Agora, encerro nossa conversa, que não passou de um monólogo. Dou-te o direito de réplica, mas não agora, agora estou ocupado demais com a minha idéia, com a minha vontade de não mais deixar-se levar pelo o amor que você tanto insiste em receber, em sentir, em ter. Enfim, prove-me que amar ainda é necessário... Do contrário, você será um órgão inválido em meu corpo!

Texto: Leniclécio Miguel

domingo, 16 de outubro de 2011

TEXTO.



O RECOMEÇO – O PONTO FINAL.
Já não há motivos para estar perto. O recomeço foi ontem, mas hoje já é o fim. Na distância, na lembrança, na saudade, na tristeza – todos têm alguém que ama assim. Assim meio que distraído, meio que ausente, e sempre que se faz presente, a sensação é de que nunca teve fim.
Pois bem, o amor tem dessas coisas. Nos leva a lugares jamais imaginados, e nos deixa por lá, guardados e para sempre lembrados, pairando no ar. E se aquele dia foi inesquecível, que nós fiquemos guardados para sempre naquele lugar.
O rio, as águas, as árvores, o caminho – todos foram testemunhas daquele momento único, daquele déjà vu que vivemos. Daqueles corpos que se entregaram, daquelas bocas que se uniram, daqueles olhos que se prometeram, mas que só ali existiram...
... Porque quando se distanciam, encontram outra forma de amar, outro jeito de sentir saudade, outro encanto do luar. Não há promessas, não há dívidas, não há compromisso, quando a verdadeira razão de viver, é ser livre, como decidimos ser. E não há dúvida, você me restaurou o coração, me fez especial, como eu deveria saber que sou.
E já sem tantas dúvidas, mas agora com as certezas de que a ponte foi perpassada, e um ajudou o outro a seguir em frente; te trago um carinho, carinho daqueles de agradecimento a alguém que em tão pouco tempo, nos fez tão bem.
E se em uma dessas noites, em que a lua estiver minguante, ou crescente, e você estiver no mais alto do prédio, ou quem sabe perto da natureza, e de repente sentir uma leve brisa te soprar, e um carinho inexplicável te envolver, saiba que eu estarei por perto, e que os meus pensamentos nesses momentos, me levam até você.
Agora estou indo, preciso caminhar mais um pouco sozinho. Vou procurar dar mais sentido a minha vida, aos meus amores, aos meus amigos. Mas não vou deixar de lado, o que sempre pude promover e doar, que é a gentileza e o carinho gratuito a todos que precisam, e que chegam perto de mim.
Portanto, que a sua caminhada seja longa, e que a sua vida seja próspera. E que a minha lembrança não te faça sofrer, nem a minha ausência te traga saudade, mas somente boas lembranças, daqueles momentos inesquecíveis que vivemos juntos.
Vou de cabeça e corpo erguidos, coração tranquilo, esperando apenas mais uma oportunidade de encontrar alguém por esse caminho, e que esteja tão disposto a amar e ser amado, como um dia eu estive...
...Agora recolho as palavras, elas encerram-se por aqui. Sem fim, nem começo, somente um ponto final (...).

Leniclécio Miguel.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

TEXTO.


A DANÇA, A MÚSICA E O NÉCTAR.

A música toca, aliás, nós cantamos a música. Ela dança, os nossos corpos respondem, um bolero, um tango, um forró, um axé, um frevo. Era noite, a varanda não coube tanta felicidade, o espaço ficou pequeno, a sala encerrava-se em cada passo dado. Fora preciso ir mais alto, ver as estrelas, observar a lua, curtir o frio a dois, e tantos a nossa volta.

Sabe dançar? Sei sim! Então vamos, são “dois pra lá, dois pra cá”... Acompanha! Não consigo! Preciso ouvir música. Mas há música, ouça o som da noite, a lua cantarolando essa bela serenata, até o vento sopra no compasso... são “dois pra lá, dois pra cá” ... Não consigo, preciso ouvir música! (risos). Tudo bem, eu canto para você...


“Batidas na porta da frente, é o tempo. Eu bebo um pouquinho pra ter argumentos... Mas fico sem jeito calado, ele rir, ele zomba do quanto eu amei, diz que somos iguais, eu não sei...” – É triste, né? Deixa eu cantarolar outra. “...Sabes mentir, hoje eu sei que tu sabes mentir, um falso amor abrigaste em meu coração, sempre a sorrir, tu falavas com afeição, dessa paixão que devias sentir.” – É, essa também não é propícia ao momento. Tudo bem, vamos parar.


Mas a música continuou, a sinfonia era magnífica, Bethoween, Choppin, Mozart... Jamais compuseram admirável obra. O amor estava ali, rente a nós, embebecido de vinho, de néctar, de desejo. As canções que outrora ouvimos, as palavras que outrora falamos, tudo guardado, sentido, desejado.


A música, a dança, o sincronismo, não era preciso tanto. O que foi preciso, e que foi tanto, foram os toques, o sentir, o cheiro, o beijo, o olho, o olhar, o abraço... E a constatação: Você não me é estranho... Bem, você também não. Um jovem, e um maduro, unidos pelo o único desejo, o desejo de encontrarem a alegria de suas vidas.


Por fim, a dança continua em nossos minúsculos movimentos, e a música até nos pingos de chuva que ouvimos. O cheiro está impregnado, o desejo aguçado, e os dias contados... Para eles se encontrarem novamente.


Pode ser que haja dança, haja música, haja os dois... Ou simplesmente, bons motivos para eles serem felizes no momento que se aproxima.

Caruaru, 23 de Julho de 2011.

Leniclécio Miguel.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

CRÔNICA.




O HOMEM DO FUTURO
(Texto: Leniclécio Miguel)

Imagine você que vamos ter que paralisar esse momento, esse exato momento em que todos estão me olhando, me encarando, e desejando saber o que vai acontecer. E será preciso eu registrar esse momento, tirando uma foto de cada um aqui, para que daqui a 5 anos, somente isso, 5 anos – a gente ver como cada um vai estar. Mas esperem... Vamos fazer diferente, vamos ao futuro? Se imagine daqui a 5 anos... Como você vai estar? Como você planejou estar? Será que está surpreso com os quilos a mais? Ou com os cabelos a menos? Ou quem sabe, até com o novo estilo de vida? Mudou de casa? Comprou um carro novo? Os cabelos foram pintados? As roupas foram mudadas? Ah, você casou? E você descasou? Incrível, esses momentos... Todos com as suas preocupações.
E aí, como se encontrou a 5 anos depois? Bom, mas vamos fazer mais diferente ainda. Imagine que volta do futuro, um homem. O homem do futuro, e neste exato momento ele olha para cada um de vocês, e diz como cada um vai estar. Você, está realizado – Família, casa, carro... Já você, não conseguiu seus objetivos, e continua se frustrando. Você está mais feliz, mais irradiante. E você, bom... Ganhou uns quilinhos, mas ficou mais maduro, mais charmoso.
O homem do futuro está aqui, e ele avisa que muitos aqui já estarão casados, com suas famílias, seus filhos... Outros, continuarão solteiros, mas felizes, também. Alguns, os que mais se dedicaram, estarão sendo reconhecidos pelo seu trabalho, pelo seu profissionalismo, por sua vida de realizações. Outros, nem tanto. Mas vamos fazer assim, já que vocês duvidam do homem do futuro...
...Nos anos 50, ele também voltou, e em uma estação de trem, a estação da luz em São Paulo, para ser mais exato, encontra uma criança com 12 anos. E ele pede para que todos em sua volta parem aquele momento, registrem aquela criança. Tirem fotos, a parabenizem, sorriam para ela. E os que estão lá, naquele momento, se perguntam: “Mas é apenas uma criança, que por sinal está engraxando os sapatos das pessoas que por ali passam?!” – É, esses que não acreditaram no homem do futuro, se frustraram. Essa criança cresceu, tornou-se metalúrgico, depois líder sindical, por fim... Essa criança ganhou asas, ganhou o Brasil, conquistou o mundo. E você deve está se perguntando: Mas quem é essa criança? E eu lhe respondo: Luiz Inácio Lula Da Silva... Ah, mas eu não gosto de política, ou, eu não votei nele.
Tudo bem, o homem do futuro foi aos anos 80, e chegando lá, encontra uma criança recém-nascida, mas já desenganada pelos médicos... Seus pais, tristes... Encontram com o homem do futuro, e esse, diz: Registrem esse momento, essa criança vai ser muito feliz e conquistará o mundo com a sua forma de amar. Os pais dela se perguntaram: “Mas como?! Meu filho está morrendo, tem poucos dias de vida!”... E o homem do futuro, apenas lamentou... Mesmo assim, os pais acreditaram... Não deixaram a criança desamparada, cuidaram dela... E em um milagre, a criança se recupera de sua doença, e volta a ser saudável. Mas o homem do futuro ao se despedir, diz: “Eu volto, nos anos 90, eu volto!”... Anos 90, mais uma vez essa criança é desenganada pelos médicos... E volta o homem do futuro, chega bem perto da mãe dessa criança e diz: “Não desista! Registre tudo, essa criança vai lhe dá bons frutos!”. E como já sabia que o homem do futuro não falhava, essa mãe acreditou. Sete anos de tratamento ininterruptos, médicos, hospitais, medicações, internações... A criança que já estava se tornando adolescente resistiu mais uma vez. E os pais acreditaram mais ainda no futuro, no homem do futuro.
Hoje, o homem do futuro chega a sua casa, em seu escritório, onde quer que você esteja, e vai pedir para que você registre todos os momentos difíceis, os mais cruciais, mais adversos... E vai pedir que você não desista, que você lute, que você enfrente a insônia, que você enfrente a doença, que você enfrente a perda de uma pessoa querida, a desilusão de um amor perdido. Ele diz que se você souber esperar, o futuro cairá como uma pluma em suas mãos. Então, curta todos os momentos que você puder.
Ame como se nunca tivesse sido magoado. Perdoe como se não houvesse outra escolha. Sorria hoje, amanhã e sempre. Deixe palavras boas no coração das pessoas. E ao se despedir, diga até logo, até breve... E saia como chegou, com alegria. Alegria essa que vai definir o seu futuro. Amor esse que vai te levar a lugares onde você nunca imaginou. Perdão esse que vai te ensinar o dom que é amar o nosso próximo. O homem do futuro chegou, e veio te dizer algumas coisas importantes para você. Agora ouça-o... E não tenha medo.
E sobre a criança da história, onde o homem do futuro veio visitá-la por duas vezes, essa criança está aqui, neste exato momento, vos escrevendo essa história para e pronta para o futuro. Portanto, não esqueça: Sonhe o quanto mais alto você puder, a vida vai dá um jeito de realizar. E realize seus maiores sonhos, a vida vai lhe agradecer por isso.