sábado, 29 de outubro de 2011



Um Diálogo Com o Coração

Tudo bem, agora é a minha vez de conversar com você... Primeiro, gostaria de saber algo. De fazer uma pergunta um pouco capciosa, mas que vai me ajudar a entender alguns porquês. Me responda: Por que você insiste em ter outra pessoa além de mim? [...] Por que você não contenta-se com os meus amigos ao seu redor, com meus familiares lhe agradando, e com meus colegas de trabalho sempre elogiando-me? Além de tudo isso, você ainda quer outro alguém? Persiste em arriscar? Em sofrer? [...] É, mas você não sofre... 

Quem sofre sou eu, você sabe disso. Então, me responda, por quê?!
Certo, você não vai responder?! Então, eu ainda continuo, e pergunto-lhe mais: Não está satisfeito com o meu amor? Não está satisfeito com a vida que eu levo junto a você? Não se satisfaz com os meus sorrisos, minha alegria, até vez por outra à minha felicidade? Me responda! Me fale algo, me tire desse monólogo, e interpele-se comigo, senhor emoção!

Mas eu ainda continuo, até você criar coragem e em alguma hora se manifestar. Ou você acha que tudo que eu já sofri não foi por sua culpa? Por sua insatisfação comigo, querendo sempre amar mais que a mim. Você entende o quanto eu me esforço para lhe agradar? Para encontrar alguém que o agrade, também?! Não, você não entende. Se entendesse, saberia sentir o que eu sinto quando não sou correspondido, quando sou mal amado, ou até mesmo, desprezado. E você, você continua aí, batendo a 80, 90, 100 até 140 por minuto. E eu?! Eu por ora paro, descompasso, desequilibro, desando... Às vezes, chego até a perder o rumo, somente por sua causa, seu ingrato!

Ah, é? Não vai se pronunciar? Então, de hoje em diante, e de agora para sempre, não te darei mais o bel-prazer se sentir amado. A partir de agora, evitarei os rostos sorridentes, encantadores, simpáticos, felizes, apaixonantes, ou seja lá qual adjetivo for de flerte, paquera, envolvimento, desejo, prazer, amor. É, agora será assim... Já que você não se pronunciou, eu digo e repito: Você não terá mais amor, entendeu? Não terá! 

Contente-se com alguns sentimentos que ainda restam em sua vida, como: bondade (que fora eu quem lhe dei), compaixão (que são os chegados que lhe emprestam), alegria (que você sente ao me ver feliz), e outros, e mais outros. Mas, o amor... Aquele que me tira do chão, que me deixa no ar, que me separa de tudo, e que só me deixa junto a você – este nunca mais você o terá.

E concluo: Não adianta querer que eu volte atrás, nem se pronunciar neste último instante, não vai adiantar. Pode espernear, se humilhar, e até se auto-flagelar, digo e repito: Para mim, já deu! E se você ousar me ludibriar, tentar modificar os meus pensamentos e essa minha decisão, não responderei pelos meus atos, sou capaz até de arrancá-lo de dentro, somente para não te dar este gostinho...

... Agora, encerro nossa conversa, que não passou de um monólogo. Dou-te o direito de réplica, mas não agora, agora estou ocupado demais com a minha idéia, com a minha vontade de não mais deixar-se levar pelo o amor que você tanto insiste em receber, em sentir, em ter. Enfim, prove-me que amar ainda é necessário... Do contrário, você será um órgão inválido em meu corpo!

Texto: Leniclécio Miguel

domingo, 16 de outubro de 2011

TEXTO.



O RECOMEÇO – O PONTO FINAL.
Já não há motivos para estar perto. O recomeço foi ontem, mas hoje já é o fim. Na distância, na lembrança, na saudade, na tristeza – todos têm alguém que ama assim. Assim meio que distraído, meio que ausente, e sempre que se faz presente, a sensação é de que nunca teve fim.
Pois bem, o amor tem dessas coisas. Nos leva a lugares jamais imaginados, e nos deixa por lá, guardados e para sempre lembrados, pairando no ar. E se aquele dia foi inesquecível, que nós fiquemos guardados para sempre naquele lugar.
O rio, as águas, as árvores, o caminho – todos foram testemunhas daquele momento único, daquele déjà vu que vivemos. Daqueles corpos que se entregaram, daquelas bocas que se uniram, daqueles olhos que se prometeram, mas que só ali existiram...
... Porque quando se distanciam, encontram outra forma de amar, outro jeito de sentir saudade, outro encanto do luar. Não há promessas, não há dívidas, não há compromisso, quando a verdadeira razão de viver, é ser livre, como decidimos ser. E não há dúvida, você me restaurou o coração, me fez especial, como eu deveria saber que sou.
E já sem tantas dúvidas, mas agora com as certezas de que a ponte foi perpassada, e um ajudou o outro a seguir em frente; te trago um carinho, carinho daqueles de agradecimento a alguém que em tão pouco tempo, nos fez tão bem.
E se em uma dessas noites, em que a lua estiver minguante, ou crescente, e você estiver no mais alto do prédio, ou quem sabe perto da natureza, e de repente sentir uma leve brisa te soprar, e um carinho inexplicável te envolver, saiba que eu estarei por perto, e que os meus pensamentos nesses momentos, me levam até você.
Agora estou indo, preciso caminhar mais um pouco sozinho. Vou procurar dar mais sentido a minha vida, aos meus amores, aos meus amigos. Mas não vou deixar de lado, o que sempre pude promover e doar, que é a gentileza e o carinho gratuito a todos que precisam, e que chegam perto de mim.
Portanto, que a sua caminhada seja longa, e que a sua vida seja próspera. E que a minha lembrança não te faça sofrer, nem a minha ausência te traga saudade, mas somente boas lembranças, daqueles momentos inesquecíveis que vivemos juntos.
Vou de cabeça e corpo erguidos, coração tranquilo, esperando apenas mais uma oportunidade de encontrar alguém por esse caminho, e que esteja tão disposto a amar e ser amado, como um dia eu estive...
...Agora recolho as palavras, elas encerram-se por aqui. Sem fim, nem começo, somente um ponto final (...).

Leniclécio Miguel.