O PRESENTE
Quando se encontra um grande amor, inicialmente não se sabe o que fazer, porque esse amor é tão grande, que ainda não cabe em nosso coração. Daí, então, temos que aceitar apenas a quantidade que cabe em nós, e aos poucos, esperar que seja alargado os limites deste sentimento em nosso peito.
É assim também com o presente que não cabe dentro de uma caixa ou que o papel não dá para embrulhá-lo por completo. O que fazemos? Mudamos de caixa, de papel, de espaço. Como não podemos mudar de coração; a gente espera, se molda, alarga-se e aos poucos, o que era limite, passa a ser espaço de sobra. É assim que compreendo o amor, a paixão, o bem querer... Desse jeitinho, mesmo.
E quando não temos certeza, e não sabemos o que fazer com o que é nos dado, façamos o seguinte: Deixemos guardado, bem cuidado, livre de poeira e intempéries. Sendo assim, um dia nós vamos precisar daquele presente, porque agora é preciso substituir o que foi quebrado, ou porque envelheceu, enferrujou, e agora é preciso ser trocado. Se precisar ser assim com os seus sentimentos, que sejam trocados também.
Mas não deixe nada em sua vida fora do prazo, porque se tem algo que a gente não suporta, esse algo é estrago.
Portanto, não deixem sentimentos antigos estragar coisas novas, amores embrionários, nascimentos...
Acredite no renovo, no novo, no começar de novo. E se não for assim, e se de fato ainda existir sentimentos antigos, daqueles que lhe prendem, e lhe amordaçam em demasia, eu aconselho o seguinte; troque o seu coração, compre um novo, e ame novamente.
Texto: Leniclécio Miguel.
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