quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

REFLEXÃO.


O PRESENTE

Quando se encontra um grande amor, inicialmente não se sabe o que fazer, porque esse amor é tão grande, que ainda não cabe em nosso coração. Daí, então, temos que aceitar apenas a quantidade que cabe em nós, e aos poucos, esperar que seja alargado os limites deste sentimento em nosso peito.

 É assim também com o presente que não cabe dentro de uma caixa ou que o papel não dá para embrulhá-lo por completo. O que fazemos? Mudamos de caixa, de papel, de espaço. Como não podemos mudar de coração; a gente espera, se molda, alarga-se e aos poucos, o que era limite, passa a ser espaço de sobra. É assim que compreendo o amor, a paixão, o bem querer... Desse jeitinho, mesmo.

 E quando não temos certeza, e não sabemos o que fazer com o que é nos dado, façamos o seguinte: Deixemos guardado, bem cuidado, livre de poeira e intempéries. Sendo assim, um dia nós vamos precisar daquele presente, porque agora é preciso substituir o que foi quebrado, ou porque envelheceu, enferrujou, e agora é preciso ser trocado. Se precisar ser assim com os seus sentimentos, que sejam trocados também. 
Mas não deixe nada em sua vida fora do prazo, porque se tem algo que a gente não suporta, esse algo é estrago.

Portanto, não deixem sentimentos antigos estragar coisas novas, amores embrionários, nascimentos... 
Acredite no renovo, no novo, no começar de novo. E se não for assim, e se de fato ainda existir sentimentos antigos, daqueles que lhe prendem, e lhe amordaçam em demasia, eu aconselho o seguinte; troque o seu coração, compre um novo, e ame novamente.

Texto: Leniclécio Miguel.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

TEXTO.



“Quem sabe um dia...”

Foi assim que despertei para a conversa. Noite de terça-feira, e uma conversa amigável na internet. De um lado, uma amiga de pouco tempo, mas que já tem grande sentido em minha vida. Do outro lado, eu, um pouco triste, pensativo, reflexivo... Acredito que vivendo uma das minhas crises existenciais. Mas não é disto que eu quero falar. A conversa fluía normalmente, falávamos de relacionamento, amor, desilusão, tristezas, ser feliz um dia. E por um instante, a “ouvi” escrevendo: “Quem sabe um dia...” E logo assim, perguntei: “Posso escrever um texto com essa sua última frase?”. Ela respondeu: “Sim, claro que pode.” Então, aqui está:

Quem sabe um dia é pouco, é pouco para os que amam, os que vivem, os que sorriem. Mas um dia é muito para os que esperam, para os que sofrem, os que esmorecem. Um dia pode resolver sua vida, ou aumentar os problemas que existem nela. Um dia cura, um dia salva, um dia também traz mais adversidades. Mas por que um dia? A gente pensa que um dia se refere a 24 horas, mas não é. Um dia, nesse contexto, quer dizer: Quem sabe um dia de uma eternidade. Porque, para os amantes um dia é pouco; só dá tempo de uns beijinhos, uns abraços, quem sabe algo mais.

Foi em um dia, algum dia, que o amor surgiu em mim. Surgiu o romance, mesmo piegas. E será em algum dia, que o que foi escrito vai ser consumado. Quem sabe em outra vida? No meu caso, não mais. Porque eu aproveitei o que tinha que aproveitar nesta vida. O que aconteceu foi a única coisa que poderia ter acontecido. Mas por que a gente não se conforma? Egoísmo? Solidão? Excentricidade? Não sei, mas cada um sabe o motivo que lhe resguarda esses sentidos.

E quem sabe algum dia retorne, somente para que a gente diga um adeus mais demorado, daqueles que olhamos nos olhos e dizemos às lágrimas. Ou não, mas para que possamos colocar em prática aquela famosa máxima que diz: “O que é seu, volta com o tempo.” Neste dilema, nessas duas situações, a gente se lembra que ainda há um coração. E que mesmo cansado, triste, tripudiado, ainda bate. Ele bate por um sentido, ele espera. É como o hibernar de um urso polar. Um dia, ele acorda e diz: “O sol, o verão, as flores. Agora é hora de viver.” E levanta, se despoja, e segue a sua vida rumo ao novo dia. Quem sabe não será assim conosco, quem sabe um dia?

Enquanto isso se divaga em silêncios audíveis, paixões abruptas, sensações. Percebemos o novo, mas ficamos presos ao velho. Porque, ainda estamos sentindo a perda, mesmo que seja aos poucos... E ainda esperamos a resposta de nossa oração: “Quem sabe um dia...”

Texto: Leniclécio Miguel

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

TEXTO.



O ÚLTIMO ADEUS
  
Já não há lágrimas, tristezas e choros. Já faz tanto tempo, mas ainda não esqueci. Não esqueci o teu rosto, o teu gesto, o teu gosto - às vezes insosso. Me pego pensando em você, te vendo partir, olhando de ombros, dizendo: “Tchau, visse?! Fica com Deus!”. E seguir...

 ... Partir para não mais voltar, sem deixar ao menos uma última frase de efeito, sem um beijo de despedida, sem um olhar de nunca mais. Marcou, me marcou demais tudo isto. Mas não dói mais.

E mesmo pensando no passado, me pegando na lembrança, e dispensando a saudade, não te esqueço. Não te esqueço, não sei o porquê, não sei a razão, mas gostaria de entender.

Mas eu não entendo, aliás, foram os meses em que eu mais duvidei, e os meses nos quais mais me marcaram. Gostaria que um dia, simplesmente um dia, alguém chegasse a mim e dissesse: Tudo isso que você passou foi por... Mas ainda não tenho explicação.

Agora olho o chão, me encontro raso, sem dores nem ressentimento, somente o vazio que o teu amor deixou. Eu sei que essa é mais uma das cartas tristes que escrevo pensando em você, não sei o motivo, só sei que se em algum dia te reencontrar, não precisa dizer como estás, deixa eu somente te olhar... E dizer adeus!

Leniclécio Miguel.

sábado, 29 de outubro de 2011



Um Diálogo Com o Coração

Tudo bem, agora é a minha vez de conversar com você... Primeiro, gostaria de saber algo. De fazer uma pergunta um pouco capciosa, mas que vai me ajudar a entender alguns porquês. Me responda: Por que você insiste em ter outra pessoa além de mim? [...] Por que você não contenta-se com os meus amigos ao seu redor, com meus familiares lhe agradando, e com meus colegas de trabalho sempre elogiando-me? Além de tudo isso, você ainda quer outro alguém? Persiste em arriscar? Em sofrer? [...] É, mas você não sofre... 

Quem sofre sou eu, você sabe disso. Então, me responda, por quê?!
Certo, você não vai responder?! Então, eu ainda continuo, e pergunto-lhe mais: Não está satisfeito com o meu amor? Não está satisfeito com a vida que eu levo junto a você? Não se satisfaz com os meus sorrisos, minha alegria, até vez por outra à minha felicidade? Me responda! Me fale algo, me tire desse monólogo, e interpele-se comigo, senhor emoção!

Mas eu ainda continuo, até você criar coragem e em alguma hora se manifestar. Ou você acha que tudo que eu já sofri não foi por sua culpa? Por sua insatisfação comigo, querendo sempre amar mais que a mim. Você entende o quanto eu me esforço para lhe agradar? Para encontrar alguém que o agrade, também?! Não, você não entende. Se entendesse, saberia sentir o que eu sinto quando não sou correspondido, quando sou mal amado, ou até mesmo, desprezado. E você, você continua aí, batendo a 80, 90, 100 até 140 por minuto. E eu?! Eu por ora paro, descompasso, desequilibro, desando... Às vezes, chego até a perder o rumo, somente por sua causa, seu ingrato!

Ah, é? Não vai se pronunciar? Então, de hoje em diante, e de agora para sempre, não te darei mais o bel-prazer se sentir amado. A partir de agora, evitarei os rostos sorridentes, encantadores, simpáticos, felizes, apaixonantes, ou seja lá qual adjetivo for de flerte, paquera, envolvimento, desejo, prazer, amor. É, agora será assim... Já que você não se pronunciou, eu digo e repito: Você não terá mais amor, entendeu? Não terá! 

Contente-se com alguns sentimentos que ainda restam em sua vida, como: bondade (que fora eu quem lhe dei), compaixão (que são os chegados que lhe emprestam), alegria (que você sente ao me ver feliz), e outros, e mais outros. Mas, o amor... Aquele que me tira do chão, que me deixa no ar, que me separa de tudo, e que só me deixa junto a você – este nunca mais você o terá.

E concluo: Não adianta querer que eu volte atrás, nem se pronunciar neste último instante, não vai adiantar. Pode espernear, se humilhar, e até se auto-flagelar, digo e repito: Para mim, já deu! E se você ousar me ludibriar, tentar modificar os meus pensamentos e essa minha decisão, não responderei pelos meus atos, sou capaz até de arrancá-lo de dentro, somente para não te dar este gostinho...

... Agora, encerro nossa conversa, que não passou de um monólogo. Dou-te o direito de réplica, mas não agora, agora estou ocupado demais com a minha idéia, com a minha vontade de não mais deixar-se levar pelo o amor que você tanto insiste em receber, em sentir, em ter. Enfim, prove-me que amar ainda é necessário... Do contrário, você será um órgão inválido em meu corpo!

Texto: Leniclécio Miguel

domingo, 16 de outubro de 2011

TEXTO.



O RECOMEÇO – O PONTO FINAL.
Já não há motivos para estar perto. O recomeço foi ontem, mas hoje já é o fim. Na distância, na lembrança, na saudade, na tristeza – todos têm alguém que ama assim. Assim meio que distraído, meio que ausente, e sempre que se faz presente, a sensação é de que nunca teve fim.
Pois bem, o amor tem dessas coisas. Nos leva a lugares jamais imaginados, e nos deixa por lá, guardados e para sempre lembrados, pairando no ar. E se aquele dia foi inesquecível, que nós fiquemos guardados para sempre naquele lugar.
O rio, as águas, as árvores, o caminho – todos foram testemunhas daquele momento único, daquele déjà vu que vivemos. Daqueles corpos que se entregaram, daquelas bocas que se uniram, daqueles olhos que se prometeram, mas que só ali existiram...
... Porque quando se distanciam, encontram outra forma de amar, outro jeito de sentir saudade, outro encanto do luar. Não há promessas, não há dívidas, não há compromisso, quando a verdadeira razão de viver, é ser livre, como decidimos ser. E não há dúvida, você me restaurou o coração, me fez especial, como eu deveria saber que sou.
E já sem tantas dúvidas, mas agora com as certezas de que a ponte foi perpassada, e um ajudou o outro a seguir em frente; te trago um carinho, carinho daqueles de agradecimento a alguém que em tão pouco tempo, nos fez tão bem.
E se em uma dessas noites, em que a lua estiver minguante, ou crescente, e você estiver no mais alto do prédio, ou quem sabe perto da natureza, e de repente sentir uma leve brisa te soprar, e um carinho inexplicável te envolver, saiba que eu estarei por perto, e que os meus pensamentos nesses momentos, me levam até você.
Agora estou indo, preciso caminhar mais um pouco sozinho. Vou procurar dar mais sentido a minha vida, aos meus amores, aos meus amigos. Mas não vou deixar de lado, o que sempre pude promover e doar, que é a gentileza e o carinho gratuito a todos que precisam, e que chegam perto de mim.
Portanto, que a sua caminhada seja longa, e que a sua vida seja próspera. E que a minha lembrança não te faça sofrer, nem a minha ausência te traga saudade, mas somente boas lembranças, daqueles momentos inesquecíveis que vivemos juntos.
Vou de cabeça e corpo erguidos, coração tranquilo, esperando apenas mais uma oportunidade de encontrar alguém por esse caminho, e que esteja tão disposto a amar e ser amado, como um dia eu estive...
...Agora recolho as palavras, elas encerram-se por aqui. Sem fim, nem começo, somente um ponto final (...).

Leniclécio Miguel.